Estrelas e órbitas

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Cada ser humano que caminha sobre a face deste planeta é único. “Cada homem e cada mulher é uma estrela” já dizia um antigo e controverso Adepto cujas idéias vemos esclarecidas na obra do Patriarca.

Cada ser humano é único em todos os aspectos. E esta unicidade não se limita apenas à constituição orgânica e psicológica mas estende-se às questões mais profundas que permeiam cada indivíduo humano como sua percepção do mundo e da realidade, seus propósitos e anseios e o papel que ele deve cumprir ao longo de sua existência.

Dentro de cada um de nós vibra e pulsa uma fagulha emanada da Grande Divindade, um Espírito Virginal, que foi lançado e ao mesmo tempo se lançou na materialidade para cumprir um propósito específico. Todo Espírito Virginal encarnado neste planeta busca em uma escala mais ampla o cumprimento dos propósitos do nosso próprio Sistema Evolutivo mas esta tarefa se cumpre em ciclos e etapas. O que leva cada Espírito Virginal a estabelecer, segundo sua própria inteligência e a de seus Auxiliares, um propósito específico particular para cada uma das etapas de suas manifestações na materialidade.

DeusaCada Espírito Virginal vem a este mundo material com um objetivo particular. Este é o trabalho pessoal que cada fagulha divina deve cumprir em sua existência na terra e sobre este trabalho nos falaram os antigos Cristãos quando registraram a passagem do Mestre dirigindo-se a seu Pai: “Que se faça a sua Vontade e não a minha!”. Esta é a verdadeira Vontade. Não a vontade do veículo material mas sim os propósitos e o impulso da fagulha divina que nele habita.

Para o cumprimento destes propósitos os Espíritos Virginais estabelecem planos distintos para seus processos no Período Terrestre ao longo de suas várias existências nos mundos da materialidade. Seguindo caminhos distintos ao longo de sua jornada é natural que os Espíritos Virginais revestidos de seus veículos materiais percebam o meio ambiente e reajam a ele de maneiras diferentes já que o conhecimento adquirido através das experiências em suas várias manifestações difere do cabedal de outros Espíritos Virginais.

Não bastasse os frutos de suas histórias pregressas cada Espírito Virginal recebe seu veículo material sob determinadas influências cósmicas muito bem exploradas ao longo dos séculos pela tão profanada ciência da Astrologia. Por mais próximos que fossem as experiências e os propósitos de dois Espíritos Virginais sua manifestação física seria certamente diferente estando cada fagulha divina encarnada sob os auspícios de confluências cósmicas diferentes.

O aprendizado percorrido durante suas várias existências somado à memória das experiências ocorridas ao longo da atual manifestação de cada fagulha divina segundo as potencialidades e limitações de seu veículo material vão moldando o Espírito Virginal ao longo de sua jornada fazendo com que os impulsos reativos deste ante às impressões externas sejam cada vez mais particulares. Este processo de aprendizado é o próprio propósito de todo o nosso Sistema Evolutivo e sua conseqüência natural, ao menos durante a etapa referente ao caminho percorrido do Período de Saturno até o Período Terrestre, é a individualização de cada Espírito Virginal. Nada mais natural já que a manifestação no mundo da materialidade, o auge do processo evolutivo no Período Terrestre, constitui a máxima distinção como individuo entre cada fagulha divina sendo a base para o grande desafio do Religare que cada Espírito Virginal deve cumprir para prosseguir sua jornada.

A Verdade única e plena reina perene no mundo anárquico e perfeito do Ain Soph, além dos Éons, donde tudo emana e ao qual qualquer adjetivo conferido seria uma inverdade já que é, para nós, profundamente desconhecido pois está além do Terceiro Véu. Para nós, Espíritos Virginais imersos na materialidade, só nos resta, conforme as capacidades do veículo que utilizamos, extender nossa compreensão aos limites estruturados da emanação divina governados pelos Éons e que compõe aquilo que chamamos Cosmos. Esta é a manifestação organizada e hierarquizada a que os antigos chamaram Criação e que em verdade é mero reflexo da Suprema Realidade que constitui a Divindade Ignota. Como bem nos alertaram nossos Irmãos em tempos mais antigos esta Criação é uma ilusão e seu Demiurgo um deus falso. Mas esta grande prisão é também o grande jardim de que se utilizam os Espíritos Virginais para empreender sua nobre jornada rumo ao Conhecimento. As fagulhas divinas lançam-se às trevas sob o julgo dos Éons manifestando-se na Criação até alcançarem a mais profunda materialidade para que então solitárias e imersas na obscuridade possam compreender a verdadeira natureza da Luz buscando retornar à Emanação Primordial através de si mesmas.

Enquanto imersas nas trevas da materialidade as fagulhas divinas se vêem desprovidas da Luz Suprema pois a Verdade não pode manifestar-se em sua plenitude na Criação por ser esta reflexo imperfeito da Divindade Suprema. Mas os Espíritos Virginais, como pontos de luz desprendidos da Luz Suprema, trazem em si uma pequena parcela da Verdade Primordial. Assim a Luz que guia as fagulhas divinas encarnadas que vagueiam pela Criação e pela materialidade é a Luz que elas próprias trazem dentro de si. Por isso o Adepto proclamou que “não há Deus que não o homem” e nossos Irmãos ensinaram que o verdadeiro Deus existe dentro de cada ser humano e só pode ser alcançado através da experimentação da Gnose. “Ninguém vai ao Pai senão por mim” dizia a voz do Grande Mestre conforme registrada pelos primeiros Cristãos pois a Luz que brilha nas trevas da materialidade é aquela que emana do centro do coração do homem. Assim está a Suprema Verdade presente na Criação mas fragmentada na essência de cada Espírito Virginal encarnado.

Cada ínfima parte da existência é em si reflexo do todo. Nada na Criação pode estar contrário à Realidade Suprema pois tudo é parte dela mesma. A Criação como emanação e reflexo da Realidade Suprema contém em si a Verdade Suprema refletida e emanada. Esta imagem refletida não é a Verdade mas para as fagulhas divinas encarnadas ela pode servir de instrumento para que se alcance através do reflexo sua fonte pois cada fagulha divina é em si fragmento da Luz Suprema e a luz refletida na Criação é antes a que resplandesce em cada Espírito Virginal encarnado.

Eis que tudo o que compõe a ilusão criada pelo Demiurgo para fascinar os Espíritos Virginais contém em si o potencial para guiá-los pelo processo de ruptura e transcendência da Criação e realizar a ação de Religare. Nos grilhões forjados para aprisionar e adormecer a Inteligência do homem encontram-se as chaves de sua liberdade. É por isso que os Irmãos dos tempos mais antigos apontaram o livro sagrado dos seguidores do deus de Abraão como falso mas ainda assim dedicaram-se ao seu estudo pois nele encontra-se as Leis impostas pelo criador à criatura e em si as chaves para libertar-se do criador e transcender a própria Criação.

Assim a Verdade manifesta-se na materialidade através de inúmeras perspectivas possíveis, todas legítimas expressões da Realidade Suprema mas todas em si parciais e imperfeitas pela própria natureza do meio em que se manifestam.

Nos foi dito que cada homem é em si uma estrela e sendo assim possui sua própria órbita. Sendo cada Espírito Virginal existente no mais profundo de cada um de nós dotado de sua individualidade e tendo o homem uma personalidade particular constituída a partir dos auspícios dos regentes da Criação e sedimentada sob os vários acontecimentos e experiências que compõe a jornada da existência nada mais natural que a órbita de cada uma destas estrelas seja consideravelmente distinta e nada mais natural que cada estrela, por conhecer sua órbita, respeite a órbita dos outros astros por saber que cada um percorreu diferentes caminhos e superou diferentes ordálios ao longo de sua jornada e também que cada um possui sua rota e seu destino pois todos tem o seu papel e seu propósito. Não pode existir uma órbita que sirva para duas estrelas. Se assim fosse ou estas estrelas seriam uma e não duas ou uma delas deveria se submeter ao trajeto e função da outra estando, desta forma, anulando a si mesma. Bem proclamou o Patriarca, reinterpretando a citação de outro Adepto, que “só existe uma Lei: faça a sua Vontade” pois tudo o que cabe ao homem sendo em si uma estrela é seguir a sua própria órbita e realizar a sua verdadeira Vontade emanada do Espírito Virginal que habita em seu interior profundo e e que se expressa por sua Inteligência e Inspiração.

Façamos, então, o que nos cabe fazer e sejamos fiéis a nossa própria órbita. Não existe qualquer outra Lei que não fazer cumprir a nossa Vontade.

L. L. L. L.

Pan Veritrax

 

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Re: Estrelas e órbitas

Contemplando nosso Sistema Solar, observamos que cada planeta possui sua própria órbita, apresentando características absolutamente particulares, como a velocidade de translação e rotação. Esta observação confere consistência às máximas afirmadas no artigo.

No entanto, expandindo um pouco mais esta mesma observação, encontramos que, mesmo tendo sua própria órbita, com suas características particulares e únicas, todos os planetas, sem exceção, ainda assim apresentam uma espécie de órbita em comum; todos giram em torno do Sol.

Como agregar este fato astronômico às conclusões filosóficas elaboradas no artigo?

Re: Estrelas e órbitas

Olá, Giordano.
 
Mantendo essa analogia acho mais apropriado comparar o homem não aos planetas mas sim ao sol. O sol emite sua luz própria enquanto os planetas não. Assim poderíamos ver o sol como o homem que é fonte que irradia sua própria essência divina enquanto os planetas representam todos os elementos que orbitam ao redor do homem sem luz própria referindo-se ao próprio ambiente material que ele vive.
 
Mas o homem, como sol, gira em torno de um sol maior, centro da própria galáxia.
 
Vejo, nisso, uma grande lição. Nós devemos ser sempre fiéis à nossa própria luz e fazer com que toda a materia gire ao nosso redor. Não devemos nos submeter à qualquer elemento externo já que nós mesmos somos o sol de nossa existência. Mas devemos sempre ter em mente que, mesmo sendo um sol, nós giramos ao redor de um sol maior e dele recebemos nossa luz. Esse sol maior é nosso Espírito. É Ain Soph. É Deus em seu sentido mais profundo.
 
“Eu sou o centro do meu sistema solar e tudo deve orbitar ao meu redor já que eu mesmo orbito ao redor de um sol ainda maior” seria uma afirmação possível para resumir essa idéia. É algo semelhante ao compromisso dos Neófitos da antiga ordem da Aurora Dourada que se comprometiam sob juramento a jamais se prostar ante qualquer pessoa ou espírito devendo reportar-se apenas à Adonai.
 
Lembremo-nos que segundo a mitologia cristá e islâmica Deus criou o homem para reinar sobre a criação e sobre os próprios anjos. Por isso é apropriado ver o homem como o sol, como o centro do sistema solar, ao redor do qual gira tudo o que é material. Mas ainda assim o homem deve manter-se fiel a Deus. Seu reinado não deve ser a expressão do egoísmo mas sim de sua fidelidade a um senhor maior do que ele. Um sol expressa sua luz como sinal de sua fidelidade ao sol maior em que orbita. De outra forma ele estaria saindo de sua própria órbita.
 
Esta é a essência do Cristocentrismo.
 
Este sol maior pode ser entendido tanto por uma perspectiva individual quanto por uma perspectiva coletiva. Nesse sentido a idéia que você lançou ainda permanece. Todos nós, como sóis, giramos ao redor de um sol e este gira ao redor de um sol ainda maior conforme aumentamos nossa perspectiva com relação aos vários cosmos.
 
A órbita que temos em conjunto mostra que o nosso processo evolutivo espiritual esta, de alguma forma, atrelado ao processo dos outros seres humanos. É algo como a idéia dos cabalistas de que o desenvolvimento pessoal depende até um certo ponto do desenvolvimento coletivo pois todos nós somos peças em um sistema maior e mais complexo. Por isso se desejamos progredir precisamos auxiliar os que estão ao nosso redor a progredirem também. Isso pode trazer alguma luz quando refletimos sobre a necessidade de ajudar ao próximo para alcançar a iluminação e sobre aspectos disso que alguns chamam “karma coletivo”. De certa forma dependemos uns dos outros.
 
E quando duas estrelas entram em conflito? Nesse caso pelo menos uma delas está obviamente fora de sua órbita.
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax

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