Magia e realidade
Realmente há muito mais entre o céu e a terra do que podem perceber nossos olhos. Nossa visão do mundo que nos cerca ou mesmo sobre nós mesmos é extremamente limitada. Nós acreditamos que o que vemos e sentimos é o real.
Mas o que é a realidade? Seria o que é captado pelos nossos cinco sentidos? Seria o que sabemos? O que sentimos? Seria o que o senso comum considera real? Seria a realidade as nossas crenças? Nossas concepções?
Esta questão pode parecer sem propósito. Afinal a realidade é o que é. Mas quando observamos a forma com que percebemos as coisas do mundo externo, quando nos questionamos sobre a verdadeira natureza destas coisas, quando questionamos nosso próprio sistema de crenças logo percebemos que realidade é um mero conceito. Um conceito bastante vago.
A física atual tem questionado muito o nossa idéia de realidade e a nossa percepção do mundo. Muitas conclusões interessantes tem surgido e vem sendo divulgadas a partir destes questionamentos. Muitos destes cientistas declaram que a realidade como nós a percebemos ou aceitamos nada mais é do que uma perspectiva possível desta escolhida por nós, de forma consciente ou não, e que aceitamos como sendo a nossa realidade. Mas existem muitas outras perspectivas possíveis.
Realmente conhecemos muito pouco sobre estrutura e as possibilidades do mundo que nos cerca. Tendemos a aceitar alguma coisa como possível e outra como impossível simplesmente porque estamos presos em um paradigma, um sistema de crenças, um modelo de existência e acabamos por adequar todas as nossas experiências para que elas caibam neste modelo. Assim nos sentimos seguros acreditando em uma normalidade que nos mantém dentro de um mundo previsível e controlado.
Só porque fechamos nossos olhos aos fenômenos que não compreendemos na natureza não quer dizer que eles deixaram de existir. Quando alguma coisa nova acontece o homem logo cria uma palavra para classificar esse evento e a integra em seu modelo de existência. Se observarmos nosso cabedal de conceitos encontraremos ali uma grande quantidade de termos que utilizamos constantemente mas que não compreendemos. Quando algo é classificado, quando um fenômeno recebe um rótulo, isso agrega a ele uma sensação de controle e de perfeita integração ao nosso conjunto de crenças. E então deixamos o novo termo lá, escondido em nosso sistema, sem jamais questioná-lo, sem jamais buscar sua essência ou seu real significado, sem jamais compreende-lo. O que é a “gravidade”? O que faz ela atuar sobre os corpos depositados sobre a superfície de um planeta? E a “luz”, o que é? O que é o “tempo”? O tempo realmente existe? E o “destino”? Estas e tantas outras idéias estão aprisionadas em termos que só fazem atestar a nossa ignorância sobre os princípios mais fundamentais da natureza em que estamos inseridos.
São várias as histórias de feitos fantásticos ou eventos insólitos envolvendo praticantes da ciência mágica. Nossa primeira reação ao entrarmos em contato com tais histórias é de considerá-las meros contos de fadas ou narrativas puramente ficcionais. Afinal tais feitos ou eventos não tem lugar entre aquilo que consideramos real. Nosso modelo de crenças e conceitos rejeita automaticamente este tipo de narrativa e assim nos mantemos seguros acreditando que o mundo é exatamente da maneira que vemos e que a natureza segue escrupulosamente todos os princípios em que acreditamos. Mas não acreditarmos em um fato faz com que este torne-se ficção? Não aceitarmos que um determinado evento natural ocorra o impede de continuar ocorrendo? Definitivamente não. A natureza não se subjuga a nossas crenças ou concepções. Então o que garante que as histórias fantásticas que chegam até nós não sejam reais? Que os feitos e eventos descritos não tenham realmente ocorrido?
Admitir nossas limitações de percepção e conhecimento é o primeiro passo para buscar uma visão mais ampla do mundo que nos cerca. O cético inquiridor é tão néscio quanto o crente comodista. Ambos fogem de um envolvimento verdadeiro com a sua própria existência sobre a terra seja rejeitando tudo o que lhe é proposto seja abraçando qualquer proposta sem qualquer senso crítico. O homem inteligente buscará reconhecer suas limitações ante as infinitas possibilidades que seus olhos não alcançam e também reconhecerá sua capacidade de ampliar sua visão expandindo-a além dos limites atuais de sua percepção do mundo.
A prática da magia apresentará diante dos olhos do estudante sincero uma série de fenômenos e eventos que certamente desafiarão sua visão de mundo, suas crenças, seu paradigma. E estamos falando aqui de eventos concretos e não de truques mentais provocados por uma mente fervorosamente crente e uma imaginação fértil. Um estudante sincero da ciência mágica obtém resultados que se apresentam a ele de forma irrefutável.
Assim a prática da magia não exige crença e até mesmo a renega. Ela exige sinceridade, coragem e empenho. Acreditar em demasia é tão perigoso quanto rejeitar com muita veemência. O mago deverá ter uma atitude entre estes dois pólos e adotar uma postura mais investigativa. Não acreditando mas aceitando as possibilidades. Não rejeitando mas verificando através da experimentação direta. Extendendo e ampliando cada vez mais a sua visão do mundo mantendo-se sempre consciente de que quanto mais enxerga muito mais há para ser visto. Desta forma a natureza e a realidade vão se despindo diante do mago e ele se transforma pouco a pouco.
L. L. L. L.
Pan Veritrax

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