Homens e idéias

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Quando nos deparamos com a crítica a algum autor ou professor esotérico normalmente identificamos dois grandes erros muito comuns entre os estudantes do ocultismo.

O rebeldeO primeiro erro é a idéia pré-concebida sem qualquer conhecimento concreto. São, realmente, muitos os que tecem críticas fortíssimas à determinados autores, classificando-os com termos dos mais depreciativos, condenando sua obra, sua vida, sem ter sequer lido uma linha do que foi escrito por estes. Difamam, proliferam boatos e mitos, condenam sem sequer saber o que estão condenando ou criticando. Baseiam-se na opinião de outros, nas histórias que ouviram e no que é “sabido por todos”. Esses que criticam sem conhecer são ou fanáticos cegos que só admitem os dogmas de sua corrente esotérica ou grandes preguiçosos que não se dão nem ao trabalho de conhecer com alguma profundidade a obra que tanto odeiam. E assim se perpetuam os boatos, o preconceito e a ignorância.

O segundo erro é a incapacidade de se separar a vida pessoal da obra legada por um determinado autor. Afinal, uma pessoa tão desvirtuada em sua vida não poderia produzir nada de bom em qualquer área… E assim, lendo breves biografias tendenciosas ou  ouvindo “histórias” sobre o dito sujeito lança-se ao fogo anos de pesquisa, descoberta, insight, idéias, informações de extrema utilidade que sequer são vistas por terem sido registradas pela pena empunhada por uma mão profanadora e maléfica. A vida pessoal e a obra se confundem. Os estudantes que agem assim são incapazes de perceber que das fontes mais obscuras pode brotar a luz. Não percebem que mesmo as pessoas mais condenáveis podem ter excelentes insights. Não conseguem separar a pessoa da idéia. E os maiores alvos de crítica não fazem parte do vulgo. São pessoas que dedicaram suas vidas à busca da verdade e à exploração dos mistérios da natureza. Se das pessoas mais comuns podemos extrair grandes lições para nossas vidas então é certo que podemos esperar grandes insights de indivíduos que se consagraram ao estudo do ocultismo, sejam eles morais ou imorais, bondosos ou egoístas, anjos ou homens. A vida pessoal é uma coisa e as idéias registradas são outra.

Se fizermos uma pesquisa criteriosa perceberemos que muitas das histórias “estranhas” que são contadas sobre os professores esotéricos não passam de mentiras e boatos lançados por seus detratores. Se realmente queremos aprender alguma coisa nesta nossa passagem pelo mundo físico devemos aprender a formar nossas próprias opiniões verificando as informações que recebemos e não aceitando automaticamente tudo o que nos é oferecido. Devemos ter um mínimo senso crítico.

Mesmo sem verificar a veracidade dos boatos devemos aprender a nos apegar à idéia e não à pessoa. Pessoas são falhas. Idéias não. Uma idéia não é uma verdade, um dogma, uma premissa incontestável. Ela é apenas uma idéia, uma proposta, uma perspectiva possível da realidade. Por mais que ela seja verdadeira e por mais que o seu professor seja perfeito, inefável, ela pode não ser adequada ao nosso caminho individual. Cada um de nós, estudantes dos mistérios da natureza, trilha uma senda solitária, pessoal, individual. As idéias professadas por outros, sejam eles quem forem, foram muito boas para eles e produziram resultados em seus processos. Mas devemos sempre lembrar que o processo interior, a senda pessoal, de um mestre ou professor, por mais iluminado que este seja, não é a nossa senda particular.

Seguir uma idéia professada por outro é um erro. Devemos seguir nossa própria senda e não a de um mestre. Mas esses professores são estudantes que obtiveram, em sua caminhada, os resultados almejados e sua obra aponta o caminho para os que ainda estão buscando sua própria realização. São boas orientações, boas referências, bons mapas para a nossa caminhada individual. Mas não são o caminho. A obra destes professores são como faróis que servem de parâmetro para a nossa jornada. Mas nós teremos que desbravar o mar da verdade por nós mesmos.

A atitude mais sensata para qualquer buscador da verdade, ao meu ver, é apegar-se às idéias e não às pessoas. Se um determinado indivíduo diz ser “A Besta 666″ ou se outro afirma ser “Avatar da Era de Aquário” devo me perguntar: em que isso me torna uma pessoa melhor? Em que isso afeta o meu desenvolvimento interior? Por que ao final de nossa jornada é apenas isso o que importa: nossas conquistas pessoais. Já disse um grande mestre em sua passagem pela Galiléia: “uma árvore se julga pelos seus frutos”. Então, ao final de nossa existência neste plano, de nada importarão os livros que lemos, os autores com quem nos simpatizamos, os mestres que seguimos ou as correntes que defendemos. Ao final da jornada restará apenas o que conquistamos, o que produzimos, o que construímos, em suma, o que nos tornamos. Quando a época da colheita chegar qualquer sucesso ou fracasso será medido pelos frutos.

L. L. L. L.

Pan Veritrax

 

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