Agregando novas idéias à cabala

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Poderíamos comparar a cabala a um rio que, através dos tempos, recebem vários afluentes que dão novas forças às águas originais e que impedem que elas sequem. As águas se transformam mas em essência continuam as mesmas e constituindo o mesmo rio.

Atualmente, com a proliferação de textos e propostas mais comerciais, vemos que alguns afluentes poluídos somam suas águas a este grande rio que é a cabala. Mas uma breve observação dos afluentes mais antigos demonstrará quais são as águas mais puras.

A rodaSe as influências externas e a agregação de conceitos sempre existiu na história da cabala ela é ainda mais forte em nossos dias onde o acesso a informação de todas as partes do mundo é algo rápido e fácil. Mas devido a essa facilidade não há mais a necessidade de absorver conceitos ou técnicas externas para preservá-las integradas ao sistema filosófico em questão. A cabala não absorve técnicas ou métodos de outros sistemas filosóficos mas se integra a eles buscando uma melhor eficiência em sua aplicação.

Não existe sistema filosófico melhor ou pior. Cada um desenvolve melhor determinado aspecto de acordo com as necessidades e características de seu povo de origem. As técnicas de meditação são melhor descritas na prática do yoga indiano do que na tradição cabalística enquanto o estudo dos símbolos e esquemas da cabala é muito mais completo do que os yantras indianos.

É uma tendência geral não somente dos cabalistas mas das várias linhas filosóficas atuantes em nossos dias a agregação de técnicas ou métodos de outros sistemas. Mas, como já dissemos, essa agregação não se constitui atualmente em absorção mas sim em complementação. Tudo o que é agregado já existe na verdade mas está melhor explicado por autores de outras linhas. Um bom exemplo disso é a prática da meditação. Ela sempre existiu no sistemas cabalístico mas os textos que a descreviam com detalhes se perderam restando apenas menções indiretas ou orientações implícitas. Já no sistema do yoga esta prática está bastante detalhada e é explicada a fundo. Existindo a prática no sistema cabalístico não há porque não aproveitar os estudos mais extensos produzidos no oriente para enriquecer a meditação na cabala.

O tarô é um outro grande exemplo de uma ferramenta externa amplamente aplicada na cabala moderna. Muitos estudantes, inclusive, confundem o estudo da cabala com o estudo do tarô. Obviamente a cabala é algo totalmente independente do tarô. Mas a agregação desta ferramenta no sistema cabalístico é bastante natural e enriquece enormemente a ambos.

Esta tendência em agregar o que há de melhor em vários sistemas filosóficos é ainda mais forte em um povo de ascendência tão vasta e de cultura tão miscigenada como o brasileiro. O sincretismo é pratica comum no Brasil e é natural para o brasileiro a agregação de técnicas das mais variadas culturas.

AlquimiaMas aqui deve-se ter muito cuidado. O sincretismo pode gerar conflitos já que se tenta unir duas correntes diferentes. O seu oposto, o ecumenismo, gera muitas perdas desnecessárias já que tudo o que é incompatível é retirado. A maneira mais eficaz, ou talvez a única, de trabalhar com elementos de dois sistemas filosóficos distintos é reduzí-los a sua síntese. A síntese não é uma redução pela exclusão da incompatibilidade como em um processo ecumênico mas sim a redução de cada elemento do sistema a sua raiz. Esta contém todo o potencial do sistema mas se apresenta de forma simples e objetiva. Além disso, sendo a proposta e a meta de todos os sistemas filosóficos uma só, a redução à síntese destes resulta sempre em algo muito semelhante e totalmente compatível. Desta forma o processo de agregação de ferramentas ou técnicas se beneficia muito da dos processos de síntese.

Vemos muitos equívocos na utilização de sistemas diferentes em conjunto pelo descuido ou desconhecimento de suas bases essenciais. Basta ver as várias formas equivocadas com que o tarô é aplicado à cabala ou mesmo a confusão que se faz entre ambos. Bastaria uma leitura detida do Séfer Iezirá e do estudo de alguns autores modernos sobre ambos os temas para se ver claramente sua correta aplicação.

Se o cabalista é descuidado em seu estudo uma ferramenta que poderia se constituir em grande aliada acaba por se transformar em um poderoso grilhão do qual é muito difícil se libertar. Mas nenhum risco recai sobre o estudante que mantém sua mente aberta e que se dedica ao estudo constante dos vários aspectos do sistema cabalístico.

A cabala é um caminho intelectualmente exigente onde a experiência espiritual é construída sobre uma sólida base cultural.

L. L. L. L.

Pan Veritrax

 

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