Sagrado e profano
Normalmente nós consideramos as disciplinas e exercícios que envolvem nossa religião muito mais nobres do que as “coisas mundamas” do nosso dia-a-dia. Então caímos no antiqüíssimo erro de dividir nossa vida entre “sagrado” e “profano”.
Todo trabalho que empreendemos dentro da nossa religião é “sagrado” e todas as outras questões que dizem respeito à mera sobrevivência no mundo da matéria é “profano”. E é nesse momento que nosso trabalho se torna parcial e que corremos o risco de nos enveredar por uma linha de ação que, no melhor das hipóteses, nos fará perder muito tempo pelos labirintos conceituais do preconceito e da miopia intelectual.
A verdade é que não existe essa história de “sagrado” e de “profano”. Isso é uma grande mentira.
Tudo o que fazemos durante cada dia de toda a nossa vida é sagrado. Aliás não há nada mais sagrado do que nossa própria vida em todos os seus aspectos. E o processo de estar consciente em tudo o que fazemos é justamente o exercício de absorver ao máximo toda a sacralidade inerente às atividades do nosso dia-a-dia. Quando fazemos qualquer coisa sem consciência do que estamos fazendo perdemos a chance de entrar em contato com o sagrado inerente àquele momento. O contato com a divindade é obtido a cada instante e a verdadeira oração é realizada pela simples tomada de consciência das coisas mais simples.
Esse princípio imanente que chamamos Deus apresenta sua face por toda a natureza e por toda a existência e tem seu foco de manifestação dentro de cada ser humano. Somos nós a expressão divina na criação e é dentro de nós que deve ser buscado a verdadeira divindade. Mas para que esse Deus Interior se manifeste ele deve atuar em toda a sua extensão sobre a natureza ao seu redor percebendo e realizando através da ressonância entre o externo e o interno a sua própria divindade. Esse é o processo da realização de Deus em nós mesmos através da dialética da consciência.
A única maneira de Deus manifestar-se sobre a terra é através do homem. Mas para que isso aconteça o homem deve fazer-se Deus. Esse é o verdadeiro processo de “religare”. E os instrumentos necessários para alcançar essa meta são cada um dos mais simples acontecimentos do nosso dia-a-dia.
L. L. L. L.
Pan Veritrax

Re: Sagrado e profano
Acho que o problema está em considerar as coisas mundanas como algo inferior, desprezível em relação aos assuntos espirituais e religiosos. O próprio termo "mundano" acabou se tornando pejorativo. Infelizmente o rebaixamente da vida cotidiana à uma espécie de segundo plano é uma tendência nociva de muitos espiritualistas, que no fundo invejam o poder que outros conquistaram sobre a matéria.
Re: Sagrado e profano
E também por não perceber que é a matéria a base para qualquer trabalho espiritual...
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