As quatro divisões do estudo da cabala
O estudo das letras e números por si só não constitui o sistema cabalístico. Há que se relacionar estes elementos de forma ordenada segundo certos métodos. Estes métodos e as técnicas derivadas apresentam um campo de estudos bastante vasto. Para facilitar este trabalho os estudiosos modernos costumam dividir a cabala em quatro grandes áreas.
Alguns referem-se a estas áreas de estudo como cabalas. Isso não significa que cada área seja independente mas demonstra o potencial do estudo cabalístico em cada linha específica de pesquisa. Essas quatro divisões da cabala são: (1) Cabala Dogmática; (2) Cabala Literal; (3) Cabala Simbólica e (4) Cabala Prática.
A primeira divisão, a Cabala Dogmática, sugere o estudo dos textos clássicos sobre o assunto. Os mais célebres são o Sefér Iezirá, o Livro da Criação, e o Séfer Ha Zohá, o Livro dos Esplendores. O primeiro é atribuído a Abraão e oferece de forma bastante direta as trinta e duas ferramentas e suas relações e símbolos principais. O segundo é uma coletânea de vários tratados baseados no Livro da Criação e na Torá apresentando várias técnicas e comentários sobre a cabala como um todo. Em uma abordagem mais moderna poderíamos incluir vários textos célebres de estudiosos que se dedicaram ao estudo da cabala e registraram suas descobertas e suas técnicas em livros específicos. O importante aqui não é ser tradicionalista mas sim compreender que não há porque redescobrir o que já foi descoberto ou refazer o trabalho que já foi feito. Há que se adquirir o ensinamento deixado pelos cabalistas mais antigos e continuar os estudos. A Cabala Dogmática não sugere propriamente um dogma a ser seguido. Isso seria contrário à própria cabala. Sugere que busquemos aprender com os grandes mestres do passado com reverência e humildade e que experimentemos todas as suas propostas com coragem e persistência.
A segunda divisão, a Cabala Literal, trata das técnicas envolvendo as letras e números de forma mais direta, como já sugerimos anteriormente, trabalhando com os aspectos numéricos e simbólicos de cada palavra, fazendo cálculos, reduzindo termos a um símbolo síntese, enfim, aplicando várias técnicas sobre as letras do alfabeto hebraico. Aqui estão as técnicas mais numéricas como a Guematria e as análises de nomes e datas tão comuns em nossos tempos.
A terceira divisão, a Cabala Simbólica, amplia o potencial dos símbolos e idéias contidos nos caracteres hebraicos e nas idéias originais dos dez números e trata dos símbolos mais complexos e de esquemas sintéticos que visam condensar o conhecimento cabalístico. Aqui estão os estudos sobre os desenhos e imagens simbólicas produzidos sob a técnica da cabala. O diagrama mais conhecido e mais importante da Cabala é a Árvore da Vida que forma a síntese máxima de todo o sistema cabalístico. Os símbolos cabalísticos são o principal foco da meditação para alcançar o conhecimento oculto através da via direta, através da experiência que os estudiosos modernos chamam insight e que os cabalístas denominam simplesmente intuição.
A quarta divisão, a Cabala Prática, lida com os aspectos mais nobres e poderosos de toda a cabala apresentando uma disciplina prática e direta para produzir efeitos fantásticos sobre a natureza, uma forma poderosa de despertar os poderes mais ocultos do homem e de interagir e controlar de forma profunda as forças fundamentais da criação: a Magia. Aqui temos o estudo dos nomes sagrados e das hierarquias angélicas bem como dos métodos pelos quais o homem pode entrar em contato e interagir com essas hierarquias. A Cabala Prática também estuda os talismãs, os desenhos ou formas que possuem poderes específicos. Este ramo de estudos foi proibido em algumas linhagens tradicionais judaicas sendo praticado e estudado por poucas seitas cabalístas dentro do judaísmo.
Muitos autores dividem o estudo da cabala de forma diferente sendo mais comum separa-la simplesmente em Cabala Teórica e Cabala Prática. Nesta perspectiva mais simples ainda temos todo o conteúdo estudado pelas quatro divisões apresentadas anteriormente mas divididas em termos de teoria e prática direta.
Todas estas divisões são didáticas e não representam partes ou áreas isoladas. Qualquer estudo da cabala que não envolva todas as áreas apresentadas aqui estará incompleto. A cabala é um todo único e deve ser estudada de forma integral.
L. L. L. L.
Pan Veritrax

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