Novos grupos gnósticos e os trabalhos na corrente samaelita

Várias pessoas que entram em contato com as propostas do gnosticismo samaelita perguntam como podem iniciar os estudos ou estabelecer uma forma de estudo organizado em grupo e qual a metodologia indicada pelo sistema gnóstico para este fim. Diante disso gostaria de colocar algumas idéias e orientações simples que podem ajudar os novos estudantes ou grupos de estudo do gnosticismo a realizarem seu trabalho.

Ensinando e aprendendoDentro do gnosticismo samaelita a primeira fonte de estudo está, obviamente, nos livros de Samael Aun Weor. Eles estabelecem as premissas do estudo e prática desta corrente. Os principais livros para o estudo, como indicado pelo próprio autor no Congresso Gnóstico Mundial de 1976, são: Psicologia Revolucionária, Grande Rebelião e Mistério do Áureo Florescer. Em adição a esses eu recomendo o Matrimônio Perfeito e a Pistis Sophia. Estes livros, como qualquer outro texto, tem suas imperfeições mas apresentam de forma bem completa a proposta do gnosticismo samaelita.

Mas estes livros são indicados apenas para quem já tem experiência com alguma corrente esotérica ou simbólica como a maçonaria, a teosofia, o rosacrucianismo ou, pelo menos, algum estudo mais leve como o espiritismo. A grande maioria dos livros de Samael Aun Weor não é indicada para iniciantes no ocultismo e nem foram escritos para estes. Nestes casos, ou até como norma geral, é aconselhável que se inicie os estudos por obras fundamentais do ocultismo. A principal delas, ao meu ver, é o Conceito Rosacruz do Cosmos de Max Heindel. Esta obra dará quase toda a base para a compreensão adequada dos textos de Samael Aun Weor sendo uma das obras mais completas de iniciação à filosofia esotérica ocidental que eu conheço.

É interessante, também, que se adquira algum conhecimento geral do ocultismo, mesmo que superficial, através de obras de C. W. Leadbeater, H. P. Blavatsky, P. D. Ouspenski, Gourdjeff, Eliphas Levi, Cornelius Agrippa, Max Heindel, W. Wynn Westcott, Aleister Crowley, Dion Fortune, Papus, Arnold Krumm-Heller, Jorge Adoum, Jiddu Krishnamurti, dos livros sagrados mais tradicionais como Bíblia, Corão, Cânone dos Três Cestos, Mahabaratha, dos textos gnósticos antigos como A Biblioteca de Nag Hammadi, Evangelho de Judas, Pistis Sophia, de textos sobre meditação, de projeciologia, de desenvolvimento de poderes ocultos e de psicanálise. Não que seja necessário um estudo extensivo de todo esse material mas quanto mais cultura acerca do ocultismo se tiver melhor se aproveitará os textos de Samael Aun Weor. Muitos destes autores e fontes serviram como base direta para a constituição dos conceitos e práticas do gnosticismo samaelita e deverão ser estudados para a correta compreensão de vários temas específicos de acordo com a característica de cada estudante ou grupo de estudos.

Quanto à metodologia não existe algo uniforme ou padrão. Mesmo enquanto o Movimento Gnóstico Cristão Universal criado por Samael Aun Weor estava ativo não existia uma metodologia uniforme cabendo a cada Lumisial estabelecer sua própria forma de trabalho. Quando o Movimento Gnóstico Cristão Universal encerrou suas atividades no final da década de 70 os grupos e escolas descendentes de sua estrutura passaram a desenvolver, cada uma, sua própria forma de trabalho. Normalmente os grupos estudam os textos de Samael Aun Weor e outros autores relacionados e realizam práticas em grupo seguindo as propostas vistas nestes textos. Um grande número de instituições cria programas de aulas e cursos onde um professor apresenta um tema e depois dirige uma prática de meditação ou outro experimento esotérico mas isso não é uma regra e não é um caminho necessário. O importante, em termos de metodologia, é aliar o estudo teórico à experimentação prática do que se estuda visando sempre a obtenção de resultados concretos sob metas bem definidas. Estes resultados devem ser bem simples no começo e irem aumentando seu grau de dificuldade com o passar do tempo. Não se pode ter pressa mas os resultados obtidos devem ser sempre mensuráveis ou passíveis de avaliação de sucesso. Os sucessos nos resultados obtidos vão dando o rumo do estudo e demonstrando o progresso do estudante ou do grupo.

Existe, relacionado a este estudo, uma ordem mística de cunho religioso e simbólico que foi criada por Samael Aun Weor como apoio a todo este estudo chamada Fraternidade Gnóstica ou Igreja Gnóstica. Esta ordem divide seus trabalhos em três círculos: o primeiro é mais teórico e seus rituais são sacramentais sendo o principal deles a Missa Gnóstica; o segundo é mais voltado para a experimentação e seus rituais são de cunho simbólico; o terceiro é mais vivencial e seus rituais são voltados para o despertar e a revolução da consciência. Esta é a estrutura em Três Câmaras da Igreja Gnóstica descrita por Samael Aun Weor em vários de seus livros. O principal ritual da Primeira Câmara, a Missa Gnóstica, foi publicado pelo autor e é recomendado que todo grupo gnóstico estude e pratique este ritual para que tenha uma base simbólica e energética que impulsione e sustente os estudos do grupo. Se o grupo perceber que este ritual atende suas necessidades o grupo poderá buscar junto a sacerdotes e sacerdotisas gnósticas devidamente consagrados orientações para o início dos trabalhos ritualísticos de Segunda Câmara e de Terceira Câmara constituindo um Lumisial legítimo segundo os critérios do gnosticismo samaelita.

A Fraternidade Gnóstica era uma ordem integrada ao Movimento Gnóstico Cristão Universal mas quando este encerrou suas atividades cada Lumisial descendente desta instituição manteve a prática dos rituais gnósticos de forma isolada fazendo com que estes, com o passar do tempo, sofressem algumas modificações e adaptações de acordo com a visão de cada grupo. Muitos grupos abandonaram a prática dos rituais de Terceira Câmara deixando de ser Lumisiais legítimos segundo os critérios estabelecidos por Samael Aun Weor mas buscando sua autoridade neste autor. Vários outros criaram seus próprios rituais gerando muitas versões diferentes da Liturgia Gnóstica. A grande maioria dos grupos escondeu os rituais públicos de Primeira Câmara sob o véu do sigilo de Segunda Câmara tornando quase todos os rituais gnósticos secretos. Atualmente existem muitos estudantes de instituições descendentes do Movimento Gnóstico Cristão Universal que freqüentam as atividades do seu grupo durante anos sem desconfiar que existe em sua instituição uma sala restrita onde um Templo está montado e onde se realizam semanalmente os rituais da Liturgia Gnóstica. Estes estudantes são enganados por seus professores que distorceram completamente as propostas templárias e litúrgicas originais da Fraternidade Gnóstica convertendo-as em uma prisão para a consciência. Tomem muito cuidado com este tipo de instituição pois elas não são, definitivamente, fontes confiáveis de orientação.

Acerca das várias versões da Liturgia Gnóstica que temos hoje penso que todas elas são válidas enquanto servirem como instrumento para a revolução da consciência de seus praticantes. Afinal este é o verdadeiro propósito dos rituais gnósticos. Mas conheço muitas alterações e criações ritualísticas praticadas por grupos ditos gnósticos que são fruto da ignorância e do desejo de poder. Nestes casos quando não há consciência melhor que se mantenha a tradição.

Há que se manter em mente que o estudo do gnosticismo é uma coisa e o trabalho na Fraternidade Gnóstica é outra. Pode-se estudar o gnosticismo somente ou associado a qualquer sistema filosófico ou ritualístico. O gnosticismo samaelita pode ser encarado, nesse contexto, como uma corrente preceptoria ou um meta-sistema esotérico. A estrutura das Três Câmaras e os rituais gnósticos que a compõe foram estabelecidos como proposta de um sistema ritualístico propício para a prática do gnosticismo mas não é um pré-requisito para a prática deste. Todo novo grupo de estudos gnósticos deveria seguir com o desenvolvimento de seus estudos e práticas até que fique claro se o sistema ritualístico e simbólico da Fraternidade Gnóstica é adequado para suas características e anseios pessoais ou se existe alguma outra base prática e ritualística mais adequada para que as metas desejadas sejam alcançadas.

L. L. L. L.

Pan Veritrax

 

Post: 

Comentários

Pan!

Muito bacana o post!

Algo que seria interessante de se discutir é: como se organizar frente as inúmeras práticas fornecidas pelo VM SAW.

Uma coisa que sempre senti falta em meus estudos gnósticos é um método, algo como na Golden Dawn, que escalona as práticas por graus.

Possibilitando assim a gradativa experimentação e desenvolvimento.

Enfim, fica lançada a questão.

Força no trabalho!

Abraços!

By usuário anônimo (não verificado)

Pan!

Outra questão que gostaria de levantar é quanto a prática da Liturgia Gnóstica.

Desconhecia o caráter público dos rituais sacramentais, com excessão da Missa Gnóstica.

Qual fonte te embasa pra tal afirmação?

Pergunto isso, pois a sua exposição mostraria na Liturgia Gnóstica a mesma estrutura presente na FRA, onde os sacramentos são públicos.

Ponto de interesse que dialoga bastante com as origens do MGCU, onde o podemos ver como uma cisão da FRA.

Base que perdurou por todo caminho iniciático do VM SAW.

Força!

Abraços!

By usuário anônimo (não verificado)

Oi Ivanovitch,

Posso estar enganado, mas imagino que você seja meu amigo Ivan, certo?

Suas questões são bem interessantes, vamos aguardar as respostas.

Abraços.

Olá Giordano!

Sou eu sim,

Estes são alguns dos meus "nós" teóricos e práticos.

Gostei muito do blog e creio que estas discusssões serão muito enriquecedoras...

Força, abraços!

By usuário anônimo (não verificado)

Olá.
 
Também senti falta, por muito tempo, de um sistema bem delineado no gnosticismo. Hoje vejo a inexistência desse sistema como uma característica bastante coerente dentro da proposta de Samael Aun Weor de deixar que cada um integre as idéias contidas em seus textos ao sistema filosófico que preferir.
 
Dentro da literatura gnóstica samaelita temos alguns meta-sistemas propostos e temos também uma ordem religiosa estruturada que pode ser expandida para um sistema de estudo mais completo. Mas a essência da proposta dessa corrente gnóstica está nos três pontos fundamentais a serem trabalhados para a revolução da consciência sendo a imensa maioria dos textos gnósticos um suporte para a compreensão e aplicação destes “três fatores”.
 
Eu gosto muito do sistema da Golden Dawn que é, inclusive, o sistema de base para meus estudos e práticas de magia. Ele é muito bem fundamentado em princípios cabalísticos e simbólicos e é certamente um dos melhores sistemas de estruturação de trabalhos de templo que já vi (talvez o melhor...). Mas se o gnosticismo tivesse um sistema assim ele certamente agradaria apenas há um pequeno grupo de pessoas.
 
Muitos pensam que as três câmaras da Igreja Gnóstica ou as práticas deixadas por Samael devem ser aplicadas criteriosamente. Isso é um grande equivoco. Samael apresentou as bases para a revolução da consciência mas também propôs que cada um encontrasse sua própria forma de trabalhar essas bases e alcançar a meta final.
 
Os rituais gnósticos não são necessários, nem as práticas propostas, nem a estrutura das instituições que ele criou. O que é necessário é que cada um estabeleça qual é o seu sistema de trabalho ideal identificando qual é o seu caminho de menor resistência. Feito isso basta inserir as premissas do trabalho da revolução da consciência e pronto, você tem o gnosticismo samaelita adaptado perfeitamente às suas necessidades pessoais.
 
Prender-se às formas é um erro no gnosticismo. O gnosticismo não possui “tradição” nesse sentido de preservar uma forma. A Tradição Gnóstica está nas premissas e no ideal. Esta nos princípios do sistema e não nas formas externas dele. Por isso o gnosticismo sempre foi e sempre será tão diversificado pois existe um número de sistemas gnósticos igual ao número de seres humanos encarnados em nosso planeta (ou até mais...).
 
O gnosticismo não é um sistema pronto e isso confunde muita gente. Por isso muitos se filiam a instituições “gnósticas” e estudam os textos de Samael por anos a fio e obtém resultados ridículos que, em outras correntes, são conquistados em muito pouco tempo. Como é dito em um evangelho canônico “a árvore deve ser julgada pelos seus frutos”. E os frutos do gnosticismo provam que ele está sendo empregado da maneira errada. Basta comparar com outras instituições ocultistas. O gnosticismo é muito poderoso mas deve ser utilizado corretamente para que seja eficaz.
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax

By panveritrax

Sobre a liturgia...
 
Parto de informações trazidas por pessoas que conviveram com Samael, do estudo da história do gnosticismo e principalmente do que foi escrito pelo próprio Samael.
 
Não acho que o MGCU possa ser ligado tão diretamente à FRA mas a IGCU sim é uma descendência direta haja visto os primeiros rituais da liturgia gnóstica. Nos textos de Samael vemos um movimento de abertura das práticas da FRA e não de restrição. Então não faz sentido que rituais abertos na FRA sejam restritos na IGCU. Há fotos que mostram um Lumisial perfeitamente constituido com os membros da ordem em suas túnicas azuis celebrando um ritual junto com vários outros membros não iniciados sendo conduzido por Samael Aun Weor. Também há descrição de todos os implenentos tidos como "secretos" por muitos Lumisiais espalhados por vários livros desse autor.
 
Não tenho um documento único que diga o que é secreto ou não na prática da IGCU de forma definitiva e clara mas os indícios vem por várias fontes e fecham um todo coerente que para mim já está bastante claro. As únicas coisas na liturgia que são secretas são os rituais de grau da segunda câmara, o ritual de iniciação e alguns rituais da terceira câmara. Todo o resto (rituais sacramentais, missa, cadeias, vestimentas, símbolos do templo, etc) podem ser discutidos abertamente e já estão devidamente citados nos textos de Samael Aun Weor.
 
Vale lembrar, também, que a IGCU encerrou suas atividades por volta de 1978 e todos os Lumisiais ativos atualmente são independentes desta instituição. Qualquer decisão sobre a forma com que deve ser empregada a liturgia gnóstica caba aos sacerdotes e sacerdotisas de cada templo e eles tem total autoridade para alterar qualquer procedimento, qualquer regra e qualquer ritual que tenha sido herdado da IGCU. Aliás, é isso o que acontece na prática em todos os Lumisiais já nenhum possui as mesmas regras e procedimentos e nem mesmo rituais iguais.
 
A realização pública dos rituais sacramentais está bastante clara. Mas, mesmo em pontos onde não existe essa clareza, qualquer sacerdote ou sacerdotisa devidamente consagrado tem a autoridade para determinar mudanças ou renovações seguindo sua forma de trabalho e sua relação pessoal e interna com a hierarquia invisível da Igreja Gnóstica.
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax

By panveritrax

Pan!

Muito bacana sua explanação apresentando os três fatores como uma diretriz e não um sistema.

Após estudar grande parte da bibliografia de SAW também observei que todas as correntes espirituais que ele menciona, são apresentadas articulando-se com os três fatores.

Você poderia falar um pouco mais sobre como articular as diretrizes gnósticas em algum sistema, mencionando exemplos?

Peço isto, pois frente a clara didática de diversas escolas, como a GD, muitos estudantes gnósticos frente a frustação que você mencionou, tendem a desvalorizar os ensinamentos de SAW.

Mencionado o sistema da GD, gostaria de articular a seguinte questão:

A ascensão inciática que SAW apresenta para os Mistérios Maiores, mostra-se concorde com muitos conceitos do sistema GD, porém ficam alguns pontos:

Tentei relacionar as iniciações de Mistérios Menores com o grau 0º=0º, mas produziu-se uma confusão, pois o sistema GD apresenta as iniciações elementais na Árvore da Vida e o supramencionado grau como uma espécie de primeiro Umbral. Além do que, as iniciações de Mistérios Menores no sistema GD aparentemente são cinco, do grau 0º=0º ao 4º=7º, sendo o 5º=6º equivalente ao início dos Mistérios Maiores.

Você poderia me ajudar nesta questão?

Força, um grande abraço!

By usuário anônimo (não verificado)

Pan!

Outra questão que gostaria de levantar para ser ampliada é a seguinte:

Você disse que "dentro da literatura gnóstica samaelita temos alguns meta-sistemas propostos e temos também uma ordem religiosa estruturada que pode ser expandida para um sistema de estudo mais completo".

Como as premissas da ordem religiosa estruturada por SAW podem se tornar um sistema? Levanto isto pois a questão dos meta-sistemas ficou clara, porém não a relação do trabalho coletivo com o progresso interior do estudante gnóstico.

Já tentei articular relações com o pouco que conheço do sistema da FRA, mas não obtive resultados satisfatórios, pois acabei me perdendo com a idéia de um sistema baseado em graus e ralações de práticas e ritauais, ponto que não se encaixa bem com corrente samaeliana.

Enfim, só tenho trazido meus "nós" para discussão, hahahahahaha.....

Abraços!

By usuário anônimo (não verificado)

Olá, Ivan.
 
Encarando os três fatores como princípios fica bem fácil aplicá-los a qualquer sistema. Até seria possível tentar construir um sistema totalmente novo mas o mais comum e natural é tomar um ou mais sistemas anteriores como base. Todas as correntes esotéricas que conheço fizeram isso (incluindo, claro, a IGCU). Isso forma uma espécie de “tradição” por herança.
 
Todo sistema esotérico deve provocar um despertar gradual de seu praticante. E isso pode ser obtido de muitas maneiras. No ocidente o mais comum é o sistema chamado Iniciático. Esse sistema é chamado assim por se constituir de várias cerimônias de iniciação consecutivas que vão, pouco a pouco, despertando a consciência enquanto educam o corpo, a mente e as emoções do adepto. Num sistema como este cada iniciação poderia revelar chaves ou aspectos mais profundos de cada um dos três fatores. Os rituais deveriam ser construídos sobre símbolos para os três fatores. Em cada iniciação são propostas tarefas que devem ser cumpridas antes de passar para o próximo estágio que levassem o adepto a adquirir certo nível de habilidade fazendo com que todo o caminho se torne como uma escada em que cada iniciação marca a subida em um degrau. Essa é a perspectiva de um ritual maçônico. Claro que a maçonaria tem propósitos mais práticos mas sua estrutura ritualística poderia ser perfeitamente adaptada para a criação de um “Rito Gnóstico”.
 
Em um sistema de artes marciais, por exemplo, os três fatores poderiam ser introduzidos mesclando gradualmente seus aspectos teóricos e práticos aos katas, katis, técnicas, golpes ou alguma coisa assim dependendo da arte e do estilo. No Aikido, por exemplo, isso é bastante simples já que esta arte já possui uma base esotérica muito próxima do gnosticismo bastando apenas aprofundar pouco a pouco os conceitos do Ki rumo à Kundalini. Nessa abordagem, claro, a linguagem não seria religiosa mas sim mais adequada ao contexto original da arte marcial. No Kung Fu cada kati poderia ser apresentado como um processo íntimo de luta contra o “inimigo interior” sendo os conceitos sobre o Chi aprofundados como no exemplo do Aikido. E assim um praticante inteligente de qualquer arte marcial pode criar um “Estilo Gnóstico”.
 
Em um sistema de yoga a coisa fica bem mais fácil. A prática de alguma escola tradicional de yoga, como o Hatha Yoga por exemplo, já contém todos os elementos fundamentais do gnosticismo sendo diferente apenas em algumas questões práticas. Nesse caso pode-se preservar o sistema original de yoga quase que totalmente apenas introduzindo os conceitos essenciais dos três fatores e direcionando as sádhanas para a conquista dos objetivos da revolução da consciência. Assim poderíamos ter uma “Escolha Gnóstica” de yoga.
 
Em um sistema já existente é o grau de ênfase que damos aos princípios gnósticos que fará com que ele mantenha as características originais ou se constitua em uma nova escola dentro do sistema. De qualquer forma é possível trabalhar o gnosticismo de uma forma tão natural dentro de um sistema já existente que é certo que podemos ter lojas maçônicas legítimas, escolas de yoga e dojos de artes marciais tradicionais e ter, ali, o gnosticismo presente e atuante.
 
Mas e quanto a criar um novo sistema? Bem, para isso é necessário que se conheça algum meta-sistema para a construção de algo diferente. Esse meta-sistema está intimamente relacionado ao estudo do cosmos. Um cosmos é um sistema organizado que respeita um conjunto de leis naturais. Para estudar essas leis que organizam os vários cosmos foram criados sistemas filosóficos. Esses sistemas filosóficos é que podem ser utilizados como meta-sistema para que consigamos construir um sistema de prática esotérica.
 
O melhor sistema, na minha opinião, para o estudo dos cosmos e como meta-sistema para a criação de sistemas de prática esotérica é a Cabala com sua síntese simbólica na Árvore da Vida. Mas existem vários outros.
 
Podemos usar, até, sistemas derivados ou simplificados como meta-sistema para esses fins como, por exemplo, a constituição dos quatro elementos que é um sub-sistema derivado da Cabala e amplamente aplicado à Magia Cerimonial. Essa forma tão simples de organizar as coisas se constitui por si só em um sistema bastante rico de estudo da natureza. Tanto que é conhecido como expressão de uma fórmula mágica em alguns sistemas mágicos. A Fórmula do Tetragrammaton. Tenho usado esse sistema como base para a construção de processos pedagógicos simples para o estudo da magia e de outras áreas e ele se mostra bem completo.
 
Esse assunto é um pouco extenso e acho que o espaço aqui seria insuficiente para uma exposição organizada e satisfatória a respeito.
 
Espero que esses pontos que coloquei sejam suficientes para se ter uma idéia da direção a seguir nessa área dos sistemas esotéricos...
 
Confesso que esse é um tema que curto bastante e acho que acabei me impolgando um pouco... 8)
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax

By panveritrax

Não acho que as iniciações ritualísticas estejam diretamente relacionadas às iniciações internas. O sistema da GD é iniciático no sentido de conduzir o despertar gradual do praticante através de iniciações sucessivas. Esses rituais sucessivos são o método de ensino da GD. Algo herdado da maçonaria via escolas rosacrucianas anteriores.
 
As iniciações internas são diferentes. Elas não constituem um sistema de aprendizado propriamente mas estão mais para graus de habilidade e despertar conquistados. Elas são a medida do nosso progresso real.
 
Os rituais sucessivos de iniciação em um sistema iniciático como o da GD tem o propósito de nos conduzir à conquista dos graus internos uma coisa não está simetricamente alinhada à outra.
 
Aliás, seria legal ter um sistema ritualístico iniciático perfeitamente sincronizado com as iniciações internas... Mas não conheço nenhum sistema assim nem moderno nem antigo...
 
Em uma perspectiva ideal concordo que o grau de Adeptus Minor deveria indicar a iniciação interna nos Mistérios Maiores. Mas veja que o sistema GD baseia-se em uma perspectiva cosmológica cabalística enquanto o sistema iniciático descrito por SAW baseia-se em uma perspectiva cosmológica teosofista. Essas perspectivas não são diretamente conciliáveis. Mesmo que o sistema iniciático da GD representasse de alguma forma o processo de Mistérios Menores há vários outros indícios que demonstram que são processos diferentes. Acho que o mais forte deles é a Magia Sexual que é o cerne do processo iniciático menor de Nono Grau e que não existe nos ensinamentos da GD...
 
O sistema iniciático da Astrum Argentum é mais desenvolvido e mais completo e tem mais parâmetros para uma comparação com as iniciações menores e maiores. Como você deve saber o sistema da AA foi desenvolvido a partir do sistema da GD por Aleister Crowley. Esse sistema tem alguns adendos bem interessantes e foi melhor explicado em suas bases e propósitos. Mas na AA também não há Magia Sexual...
 
Um sistema que penso ser mais próximo de uma comparação direta com as iniciações menores é da Ordo Templi Orientis em seus primeiros tempos. Esse sistema possui nove graus (sendo o X administrativo e o XI mais recente...) e traz ensinamentos de magia sexual em seus graus mais altos. Ele se aproxima mais do que é apontado como trabalho das iniciações menores e é um bom exemplo de como introduzir os princípios gnósticos em um contexto maçônico...
 
Eu tenho trabalhado há alguns anos em uma forma de aplicar a ritualística gnóstica da IGCU em conjunto com a ritualística mágica da GD. Nesse processo várias possibilidades surgiram. Inclusive algumas formas de unificar os conceitos e práticas dos dois sistemas (o que não vejo, hoje, como a melhor opção...). Mas nesse processo foi necessário compreender bem os dois sistemas, desconstruí-los até um certo ponto, e reconstruí-los em uma nova forma mais aberta a integração.
 
Esses trabalhos podem ser conduzidos paralelamente mas não são diretamente integráveis...
 
O melhor e estudar e tentar compreender profundamente cada um em separado e no seu contexto... depois as coisas ficam mais claras...
 
Um ponto importante a lembrar aqui é que nos mundos sutis existem vários templos de Mistérios Menores e vários templos de Mistérios Maiores cada um ligado a uma corrente ou raio particular de ação. Cada um destes templos conduz seus trabalhos de forma independente e acredito que a própria divisão de graus que cada um tem para seus trabalhos bem como os objetivos e metas de cada grau sejam diferentes. Por isso é difícil comparar escolas diferentes pois elas podem estar sendo conduzidas internamente por correntes iniciáticas diferentes.
 
A Igreja Gnóstica Transcendida é justamente uma reunião de várias destas escolas invisíveis e por isso temos tanta pluralidade em nossos templos.
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax

By panveritrax

O sistema da FRA é bastante simples e mais continuo. Não acho que tenha uma estrutura mais complexa por trás dele. Vários sistemas de graus são simplesmente construídos de forma contínua. O da AMORC também é assim. Esses sistemas são bons mas como eles partem das percepções de seu criador fica difícil para nós utilizá-los como exemplo comparativo. Acho que para isso os sistemas baseados em uma fórmula mais rígida são melhores...
 
A Igreja Gnóstica já é quase um sistema templário completo. Se pegarmos a idéia central de cada uma das três câmaras de um Lumisial podemos reforçá-las com o estudo dos três fatores de revolução da consciência deixando todo o trabalho realmente completo.
 
Acho que o que falta são metas bem definidas e parâmetros de avaliação bem claros. Em um sistema mais forte como o da GD se sabe exatamente o que ser quer de cada grau, o que cada estudante deve aprender e quais habilidades deve desenvolver antes de passar para o grau seguinte. Se aplicarmos essa objetividade às câmaras da Igreja Gnóstica acredito que teremos um sistema muito bom nas mãos.
 
Estamos fazendo isso no Lumisial Pistis Sophia sob a coordenação do Giordano e acredito que os resultados tem sido bem interessantes.
 
Mas quando falamos do sistema da Igreja Gnóstica e das três câmaras temos que ter em mente qual é a dimensão do seu trabalho para não supervalorizarmos as coisas. Muitos acreditam que a Terceira Câmara da Igreja Gnóstica é reservada aos Adeptus ou a pessoas Auto-Realizadas. Samael indicou (em um de seus meta-sistemas...) que existe uma ordem no trabalho interior gnóstico: 1 = Despertar, 2 = Morrer e 3 = Nascer. Samael deixa bem claro, também, que o propósito da Terceira Câmara é despertar a consciência. Ora, o propósito do círculo mais avançado da Igreja Gnóstica é o despertar e este é justamente o primeiro passo no processo de cristificação.
 
É muito bom ter isso em mente quando estamos planejando as metas e os parâmetros de avaliação nos trabalhos do Lumisial.
 
E isso nos faz pensar que um sistema não precisa ser completo para todo o processo de cristificação. A Igreja Gnóstica nos conduz até um certo ponto. E quando alcançarmos esse ponto? Ora, aplicamos um outro sistema que nos leve até um ponto ainda mais distante. E isso não implica em abandonar o sistema anterior. Ele foi bom até um certo ponto de nossa jornada mas não perde necessariamente a utilidade quando cruzamos esse ponto. Mas isso cada um deverá avaliar...
 
Agora vamos a um pouco de divagação criativa... 8)
 
Uma forma de estruturar ainda mais o trabalho nas três câmaras seria dividí-las em “graus de estudo”. Em minhas análises sobre sistemas esotéricos pensei em uma estrutura em nove graus onde as idéias de cada câmara seriam sobrepostas em uma levemente inspirada na Fórmula do Tetragrammaton.
 
Representando as metas de cada uma das câmaras de forma sucinta e livre temos: 1C = Conhecer, 2C = Experimentar e 3C = Viver. A partir desses conceitos poderíamos dizer que cada câmara tem como foco de estudos: 1C = Compreensão teórica, 2C = Verificação prática e 3C = Obtenção de resultados plenos. Essa estrutura simples está perfeitamente de acordo com os princípios antigos de saber, querer e ousar (o calar fica pra depois... 8)).
 
Fazendo a sobreposição temos nove graus, três em cada câmara, cada um com um propósito bem definido e com um escopo de estudo. Os graus da Primeira Câmara: 1C-1 = Conhecer a teoria, 1C-2 = Experimentar o que diz a teoria, 1C-3 = Obter resultados a partir da teoria. Os graus da Segunda Câmara: 2C-1 = Conhecer as práticas e compreendê-las teoricamente, 2C-2 = Experimentar as práticas, 2C-3 = Obter resultados plenos das práticas. Os graus da Terceira Câmara: 3C-1 = Obter seus próprios conceitos a partir de sua própria vivência, 3C-2 = Buscar suas formas particulares ou desenvolver suas próprias práticas, 3C-3 = Estabelecer uma relação íntima com o Ser conquistando a sabedoria por si mesmo.
 
A teoria e a prática devem ser organizadas dentro de cada grau para que o estudante cumpra a meta do grau de forma integral. Se for necessário o grau pode ser subdividido novamente tendo: 1 = Teoria = Material a ser estudado e provas teóricas, 2 = Prática = Exercícios e rituais a serem aprendidos e realizados, 3 = Vivência = Produção e apresentação de resultados em forma de artigos, apresentações ou diário. Essa divisão não precisa constituir novos sub-graus e servem apenas para facilitar a organização do trabalho de cada grau.
 
Com essa estrutura creio que seja possível transformar os trabalhos de um Lumisial em um sistema bem completo. Isso é só um esboço, é claro, mas já dá uma idéia do que é possível fazer sem distorcer ou alterar o sistema original.
 
Esse trabalho tomando um sistema simples (como os três níveis das câmaras...), identificando seus valores básicos e sobrepondo-os como sub-graus é uma forma bastante simples de desenvolver, gradualmente, sistemas mais complexos. Acho essa técnica bem produtiva...
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax

By panveritrax

Olá, primeiramente gostaria de parabenizar o seu site. Muito completo e com muita sapiência, realmente. É dificil ver no ocultismo hoje a aceitação dos textos de Samael Aun Weor...
Sempre estudei gnosticismo e esoterismo a parte, sempre fiz minhas práticas individuais, mantive um pequeno grupo de estudos gnósticos samaelitas, realizamos rituais, cadeias, etc.
Nunca gostei dos sistemas "tradicionais" das escolas gnósticas samaelitas. Ou seja, compartilhamos das mesmas filosofias e conceitos, pode verificar isto explicito em meu blog.
Enfim, depois de quatro anos estudando e praticando, desfiz o grupo, por necessidade, e me ingressei, por fim, em uma instituição "gnóstica", muito grande por sinal...
Decidi superar todas as barreiras que via naquela instituição, visando apenas meu desenvolvimento interior.
Ao final de tudo, conheci muita coisa da qual não conhecia. Vi que meu grupo gnóstico ainda faltava muito para possuir a estruturação sólida e empreendedora daquela instituição. Descobri também que a liturgia que essa instituição possuia era imensamente superior. Descobri também que os meios e métodos para Difusão da Gnosis e propagação da herança cultural gnóstica samaelita, era anos-luz mais avançado.

Enfim, sempre me dediquei ao gnosticismo independente de escola, hoje estou entrando para a terceira câmara da Igreja Gnostica Cristã Universal Samael Aun Weor do Brasil. Uma grande reviravolta...

O que estou tentando entender, como a auto-realização pode se relacionar com os sistemas.
Sempre segui a proposta de Samael, no que diz respeito cada qual possuir sua própria didática de desenvolvimento interior, muito livre e pessoal.

Porém vejo aqui vocês falando sobre os diversos sistemas adotados por instituições e sua relação com o desenvolvimento interior...
Não consigo captar a relação profunda....
Desculpe minha tremenda ignorância nesses assuntos de sistemas esotéricos. Metodologias e Didáticas escolásticas...
Na realidade, não conheço o que chamam de "sistema" nem da Golden Dawn, nem da O.T.O, nem da A.A, nem da FRA, muito menos da maçonaria... Sei apenas o básicos, os conceitos e filosofias dessas instituições, seus líderes e fundadores, etc., porém, como não sou iniciado em nenhuma dessas, não conheço seus ditos "sistemas".
O único sistema pré-moldado que utilizei na minha vida foi o de Francis Bardon, porém, de forma muito livre e aberta.... O que não gerou resultados.

Essa é minha dúvida. E também gostaria de comentar, que se alguma informação em relação a essa IGCUSAW, sobre o que tomamos como novas medidas, metódos e liturgias, o que me for permitido dizer, direi.
Mas pelo que vejo você também já participou de uma instituição gnóstica, então deve saber essas coisas, se não, estou a disposição...
Gostei muito site, da posição coerente, descente, sólida, do autor.
Parabéns.

P.I.

Deixe-me corrigir em relação ao autor do sistema que utilizei.
É FRANZ BARDON. Desculpe-me o erro.

E também, aproveitando gostaria de tecer o comentário que esse sistema gnóstico, que ser bem estruturado e empreendor, da IGCUSAW, devo dizer que só funciona com grande dedicação aos trabalhos de segunda e terceira camara... Se não houver uma grande dedicação por parte do estudante, esse sistema falhará inevitavelmente. Por um tempo, você quase que se torna um escravo dos trabalhos realizados, tem que estar disposto a ir em tudo, fazer corretamente, se integrar com o lumisial, caso contrário, não aprenderá nada, ficará estagnado, e a gnose só servirá como bagagem cultural.

Mas devido aos trabalhos de Templo, reuniões, atividades especiais, curso extensivo de segunda camara, devido ao progresso do estudando, passando seu processo de segunda camara para terceira, os cursos de recém consagrado, junta esotérica, a iniciação em terceira camara, o curso de terceira camara, os congressos diocesanos, as chamadas convivências gnósticas, ou retiros gnósticos, os trabalhos de Academia, tudo isso é algo externo a um sistema, é o estudante que deve buscar, porém se buscar, ir atrás, terá um grande material para fazer e traçar sua própria didática interior...

É claro que disse isso porque quero comente algo a respeito, sua opnião, etc.

Para concluir minha pergunta, e perdoa o leigo aqui, gostaria de saber o que os sistemas tem a ver com o verdadeiro trabalho de morte, nascimento e despertar. De que forma o sistema poderia influir no verdadeiro trabalho de cristificação. Até hoje, pelo que sei, a Cristificação é inerente à sistemas, métodos, correntes, etc. É um trabalho individual, um trabalho de mudança interior, íntima. Não sei aonde o sistemas entram nisso. Não sei se não estou sabendo ver corretamente o que querem dizer com Sistemas.

Realmente, não vejo uma proposta de sistema nas Instituições Gnósticas.
O que vejo é muito claro, cada qual segue o sistema que prefirir.
Existe um sistema estruturado por Samael, sistema de iniciação pelos arcanos do tarot, pelos sefirotz da cabala, pelos signos do zodiacos, pela magia prática com os quatro elementos que ele sintetisou nas nove iniciações menores... e também no sistema filosófico das sete iniciações maiores, mais a oitava, etc.,etc....
Mas se for usar somente os livros básicos - psicologia revolucionária, grande rebelião, mistério do aureo florescer, até mesmo matrimonio perfeito e pistis sophia revelada, não encontrará um "sistema" iniciático nisso...
Enfim, aclara minhas dúvidas quanto a isso...

O sistema de trabalho proposto por Samael Aun Weor é o seguinte: "la Iniciación es tu misma vida. Si quieres la iniciación, escríbela sobre una vara." Este sistema é composto por tudo o que fazemos a partir das interações entre nossa alma e os acontecimentos que nos cercam. Em síntese, é para este sistema perene, contínuo e direto que a maioria dos antigos sistemas esotéricos buscavam encaminhar os seus iniciados.

Não poderíamos esperar nada diferente de Samael Aun Weor, dada a natureza de sua missão como Avatara de Aquário: entregar indistintamente a chave fundamental que permite aos buscadores abrir as portas da Iniciação Interior.

Se no início esta entrega se deu exclusivamente através da impressão de livros e folhetos, com o tempo foi necessária a institucionalização de uma Escola e de uma Igreja, para estabelecer níveis pedagógicos mínimos que atendessem às particularidades das diferentes essências que se aproximavam de seus ensinamentos.

A Escola para os mais teóricos e a Igreja para os mais místicos. As duas para os que não são nem uns nem outros. A estrutura de 3 Câmaras (presenta na Escola e na Igreja) serve para facilitar o despertar de sua consciência àquela essência que percebeu a importância de se conquistar as Iniciações Internas.

Quando uma essência avança pela estrutura das 3 Câmaras sem esta percepção, ou tendo sofrido o enfraquecimento desta percepção, parece-lhe que não há sistema, que não há método (porque realmente não há, fora aquele mencionado no início), e que a quantidade de práticas indicadas no corpo de doutrina são mais um fardo do que uma bênção.

O sistema gnóstico de Samael Aun Weor consiste no avanço espiritual mediante a lenta, progressiva e constante Revolução da Consciência, realizada individualmente, sem a intervenção de qualquer Mestre, levada a cabo de instante a instante, em cada um dos momentos de nossas vidas, especialmente aqueles em que descobrimos os condicionamentos de nossa consciência, aqueles em que realizamos a energia criadora em nosso universo particular, e aqueles em que temos a oportunidade de servir indistintamente ao homem.

O sistema de Samael Aun Weor não está na Primeira, nem na Segunda e nem na Terceira Câmara (para a qual nunca existiu qualquer Ritual de Iniciação). As atividades destas Câmaras não podem levar, por si só, ao despertar da consciência.
Está incompleto o conceito de que as cerimônias ritualísticas são capazes de despertar a consciência dos iniciados. Nenhuma consciência chega ao despertar sem participar ativamente do processo. A participação ativa da consciência é inerente ao próprio despertar. No máximo se alcançam "estados alterados", nada além disso, exceto no caso das raras exceções (perdoem o trocadilho). E nenhuma consciência desperta se não mantém presente e viva aquela percepção que mecionei anteriormente.

É inútil procurar por um sistema que "complete" o sistema de Samael Aun Weor, ou mesmo criar algum que seja algo como uma "tecnologia superior". É somente para os olhos de seus aplicadores que uns sistemas são melhores que os outros.

Não quero com isso desmerecer os sistemas místicos, ritualísticos ou filosóficos, que conduzem o buscador à ter vislumbres valiosíssimos do caminho iniciático interior. Nem mesmo quero eu apontar o sistema de Samael Aun Weor como "o melhor", mas sustentar que é um sistema completo, quando o analisamos de forma completa (mais um trocadilho).

Do mesmo modo como as obras esotéricas e ocultistas rosacruzes, templárias, teosofistas, entre outras, são consideradas pueris (numa livre tradução do termo "kinder"), os sistemas destas escolas também o são, já que servem para acolher o desenvolvimento de almas que são infantis, por mais respeitáveis que sejam seus intelectos, sua biografias, seus títulos acadêmicos ou posições sociais.

Realmente, você conseguiu separar bem a diferença, no terreno dos fatos concretos, entre o que foi deixado por Samael Aun Weor e as demais linhas filosóficas ligadas ao gnosticismo da época.

Agora falando de gnóstico para gnóstico, o que me preocupava, era a qualidade dessa gnosis que estava sendo passada, e muitas sementes boas sendo jogadas na pedra (não-filosofal), por pura falta de informação e formação por parte dos instrutores...

Por muito tempo pensei que fosse uma falha no sistema tanto do V.M Samael, como da Instituição e dos Missionários.

Até onde cheguei, ainda não consigo ver eficácia na Gnosis Instituicionalizada como a temos hoje, em nível social, não estamos dando conta de ensinar as pessoas, fazê-las entender ou pelo menos fazê-las querer entender, mostrar o real motivo de porque ela precisa entender...

Como disse um grande gnóstico samaelita: nós gnósticos temos que ser mais gnósticos.

Enfim, àqueles que abraçam a doutrina e o sistema, com consciência, eu vejo o poder da doutrina samaelita, porém, quem fica à merce, não consegue nada... E MUITOS estão dessa forma, à merce. Estão aí, de molho, sentados sobre a cultura gnóstica e não vivendo a doutrina...

Fábio,

Não é impressionante perceber esta diferença de rumos que Samael Aun Weor imprimiu no esoterismo moderno? Seu sistema, simples e objetivo, não por isso melhor nem pior do que os outros, mas diferente, garantiu que qualquer pessoa, eruditos ou ignorantes, tivesse a possibilidade de chegar à iniciação de forma direta, sem intermediários.

Tudo isso sem prejuízo aos outros sistemas de aprendizagem e desenvolvimento das possibilidades espirituais, todos valiosíssimos, nem mesmo à aplicação destes mesmos sistemas em paralelo com o sistema aquariano de Samael Aun Weor.

Infelizmente, mas infelizmente mesmo, desgraçadamente como dizia o próprio Avatar de Aquário, as formas institucionais das atuais escolas gnósticas, especialmente as de alcance continental e mundial e dirigidas por Mestres ou seus continuadores, têm promovido, com pouquíssimas excessões, uma nova problematização da Alta Iniciação.

Há uma tendência por parte dos estudantes de tais instituições, tendência esta reforçada por seus próprios dirigentes, de se transformar a instituição, ou mesmo os Lumisiais com seus ritos, orações e cerimônias, em "protagonistas" da iniciação real.

Todos estes instrumentos possuem inegável importância, mas cada coisa possui seu propósito próprio. Quando desviados de sua função, podem trazer mais mal do que bem. O trio que protagoniza o espetáculo da Paixão Crística é composto pelos três fatores de revolução da consciência, sendo que, deste trio, destaca-se a Magia Sexual Branca. Os coadjuvantes jamais serão elementos banais, mas sempre serão secundários.

Outra tendência que possui os mesmos efeitos negativos, é a de conferir autoridade absoluta aos Mestres destas instituições e supor que seja necessário qualquer tipo de fidelidade à eles e aos seus "corpos jurídicos" para haver progresso espiritual concreto.

Até onde vai o poder de um Mestre? É saudável confundir um Mestre com o Guru Espiritual de toda alma humana? É saudável confundir poder sacerdotal com poder jurídico? A história do Movimento Gnóstico tem mostrado que não.

Fato é que estas duas tendências acima citadas trazem uma série quase infindável de consequências negativas. Parafraseando Virgílio: "Has I a thousand tongues, and a thousand lips, and a speech fashioned of steel, sin’s varying types I hardly could teach."

As instituições gnósticas acabam não sendo eficazes quando estimulam o culto à personalidade de Mestres ou a sua (da instituição) legitimidade exclusiva. Estes dois fatores constituem um terreno fértil, onde brota inevitavelmente a semente do fanatismo.

Depois que ela brota e cresce, aí começa a dar frutos: a intolerância, a presunção, a separatividade, a dependência psicológica, a falta de estudo do corpo de doutrina, a bagunça na organização das três câmaras, a agregação de rituais, fórmulas ritualísticas, palavras de passe, supostas práticas de teurgia, e por aí vai.

Estes frutos não podem ter um gosto diferente: doce na boca; amargo no estômago. Os muitos que não conseguem nada são os que ainda estão sentindo o gosto doce na boca. Mas o amargo, que é a decepção com o sistema, não tarda, pois enquanto poderiam estar aplicando o sistema que abre as portas da Alta Iniciação, estavam aplicando um outro sistema, que neste drama não atua como protagonista, nem como coadjuvante, e sim, como anatagonista.

Olá.
 
Não só participei de uma instituição gnóstica como ainda participo. Estudo o gnosticismo samaelita de forma contínua há mais de 13 anos. Sou Sacerdote Gnóstico e membro de Terceira Câmara do Lumisial Pistis Sophia em Curitiba. Nesse tempo já fui co-fundador de uma instituição gnóstica estruturando todos os trabalhos públicos e de Segunda Câmara desta instituição, fui coordenador de Terceira Câmara, ministrei palestras e cursos, coordenei vários grupos de trabalho com foco específico e trabalhei ativamente em vários lumisiais.
 
As idéias que apresento neste site sobre a corrente gnóstica samaelita são fruto de minha vivência e experimentação desta corrente de pensamento em todos esses anos e até os dias de hoje. Sei que algumas posições que tenho podem parecer demasiadamente heterodoxas mas isso se deve mais aos desvios dos “gnósticos” atuais do que de uma perspectiva supostamente revolucionária da minha parte...
 
Os comentários anteriores levantaram muitos assuntos e muitos erros e equívocos foram apresentados... Vamos a eles...
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax
 

By panveritrax

Sobre sistemas...
 
Não é possível alcançar a auto-realização sem um sistema de estudo bem definido e bem delineado. Mas o que percebo é que não está havendo aqui uma cocepção clara da própria palavra “sistema”.
 
Um sistema é um encadeamento de técnicas, de processos, de uma forma inteligente para que se alcance alguma finalidade. Dentro do contexto do ocultismo um sistema é um encadeamento de técnicas e chaves teóricas e práticas que conduza o praticante de um estado consciencial inicial até um estado alvo. Trata-se da definição de um roteiro inteligente para se adquirir determinado estado de consciência.
 
Não ter meta definida é andar em círculos. Ter uma meta e não ter um plano para alcançá-la é continuar a andar em círculos. A meta definida e o plano de ação para conquistá-la constitui, de certa forma, um sistema. E esse sistema deve ser construído sob certas regras e fundamentos para que tenha eficácia. E isso não é nada esotérico ou místico mas puramente científico e acadêmico. É óbvio que na construção de um sistema esotérico se faz necessário um profundo conhecimento não apenas da metodologia científica aplicada à análise de sistemas mas também da corrente esotérica sobre a qual o sistema será construído.
 
Um sistema esotérico pode ou não ser iniciático. Nesse caso há que se entender bem o que essa palavra significa dentro do esoterismo. Já falei disso em comentários anteriores...
 
Um bom exemplo de um sistema não iniciático é justamente o de Franz Bardon. Ele é um bom sistema mas deve ser seguido como é exposto no Iniciação ao Hermetismo para que ofereça resultados. Além disso ele é voltado para quem deseja trilhar seu desenvolvimento pela via hermética moderna que é, na verdade, bem diferente do hermetismo original tendendo mais para a magia cerimonial e a cabala. Bardon oferece esse “roteiro” de técnicas e parâmetros de avaliação que caracterizam um sistema esotérico legítimo. É um bom exemplo...
 
Samael Aun Weor não propôs sistema algum. Dizer que sua iniciação é sua própria vida não constitui um sistema. Nem sequer um meta-sistema. Mas isso que o Giordano apontou mostra bem o papel de Samael. Ele não propôs nenhum sistema mas abriu as várias técnicas e chaves buscando “democratizar” o esoterismo permitindo que cada um pudesse utilizar essas chaves para compor seu próprio sistema particular de acordo com o “ritmo de sua particularidade”. Samael não dá sistemas mas dá chaves para que se construa um sistema da forma que se queira. Mas é certo que encontramos vários meta-sistemas em suas obras e nas instituições que propôs. Um exemplo é a estrutura das três câmaras da Igreja Gnóstica. Este é um meta-sistema sobre o qual pode-se construir um sistema específico. Mesmo com a melhor das “percepções” as três câmaras continuarão o que são e para transformar essa estrutura em um sistema completo há que se realizar algum trabalho...
 
Também o que foi dito por Samael sobre tarô, astrologia, magia, nada disso constitui um sistema... São temas de estudo mas não um sistema. Também a estrutura de iniciações menores e maiores, que aliás nem foi criada por Samael, não constituem um sistema mas sim parâmetros dentro de uma escola de iniciação específica, lembrando que há várias delas nos mundos sutis conforme apontado pelo próprio Samael...
 
Mesmo os Três Fatores de Revolução da Consciência não formam um sistema mas fundamentam qualquer trabalho esotérico que vise à Cristificação. São os “trabalhos” que todo iniciado deve empreender para alcançar sua meta. Mas durante o processo e o “empreendimento” destes trabalhos se faz necessário um sistema.
 
Tudo isso já foi claramente exposto nos comentários anteriores. Sugiro que eles sejam lidos...
 
Não ter um sistema de trabalho definido e nem sequer saber o que é um sistema é a principal causa da ausência de resultados concretos e reais no meio gnóstico samaelita.
 
Acho que vale a pena estudar o que é um sistema, estudar os sistemas esotéricos mais tradicionais (iniciáticos ou não), estudar os meta-sistemas samaelitas e refletir profundamente, a partir dessa base, sobre a forma de trabalho e o sistema particular que estamos adotando para a coonquista de nossas metas.
 
Recomendo, também, que os outros artigos deste site sejam lidos pois neles há o esclarecimento para mutas das questões e equívocos levantados aqui.
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax
 

By panveritrax

Sobre a IGCUSAW...
 
Com todo respeito a instituição que você citou e a seus membros devo dizer que ela, apesar do nome, não é uma instituição gnóstica. Leia o meu artigo sobre o Falso Gnosticismo e estude os livros que apresentam uma visão geral do pensamento e da definição de Gnosticismo e você entenderá meu ponto de vista. Não estou contra esta instituição ou qualquer outra e também não estou julgando se é uma instituição boa ou ruim pois isso depende unicamente das necessidades e metas de cada um. Apenas é claro para mim que ela não tem nada haver com o gnosticismo em qualquer vertente e está muito longe de constituir um trabalho em afinidade com as propostas de Samael Aun Weor como as vejo...
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax
 

By panveritrax

Sobre os sistemas “kinder”...
 
Também acho inútil tentar completar o sistema de Samael Aun Weor porque ele não existe. Temos na obra de Samael, no máximo, meta-sistemas a partir dos quais podemos construir sistemas completos. E para a construção de um sistema completo é extremamente importante o estudo de sistemas anteriores e que são casos evidentes de sucesso. Nesse caso é óbvia a preferência pelos sistemas que influenciaram as idéias e as visões de Samael se queremos construir um sistema perfeitamente afinado com elas já que a relação entre elas e estes sistemas é mais natural. Por nos primeiros comentários a análise fez referência aos sistemas citados pois todos eles estão diretamente ligados às idéias e as propostas do gnosticismo samaelita.
 
Dizer que os sistemas esotéricos anteriores ao gnosticismo samaelita são pueris é que é uma manifestação “kinder”... Há sistemas voltados para “almas infantis” certamente mas há, também, sistemas voltados para almas bastante maduras. Nesses sistemas podemos encontrar alguns exemplos de grande avanço “técnico” em termos de procedimentos de trabalho esotérico e que tem apresentado resultados verdadeiramente eficientes. Chamar esses sistemas de “pueris” é atestar o desconhecimento dos mesmos ou o fanatismo dentro de uma corrente específica...
 
Um sistema não se prova ao gosto ou ‘aos olhos de seus aplicadores” mas sim através de resultados concretos e mensuráveis. Não é questão de ser “melhor” ou “pior” mas sim de apresentar ou não resultados, de ser ou não eficaz. A questão é bem mais simples...
 
Não dá para comparar outros sistemas com o de Samael porque ele não existe... é isso é uma grande vantagem do gnosticismo samaelita como apontei em comentários anteriores e em outros artigos...
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax
 

By panveritrax

Não existe isso de “doutrina gnóstica”. Qualquer proposta de “doutrina” está em oposição ao “gnosticismo” por definição. É claro que precisamos de bases de estudo e os textos dos professores de cada corrente gnóstica cumprem esse papel. Assim, na corrente samaelita os livros de Samael são a base e o parâmetro do estudo assim como as instituições criadas por ele são o modelo de inspiração para o trabalho organizado em grupo. Mas prender-se a esses textos e aos conceitos contidos nele é perverter a proposta gnóstica dos mesmos convertendo-os em uma espécie de “dogma” ou de “doutrina” fazendo assim com que eles sirvam ao oposto de seu propósito. O termo Gnosis não se refere a um conhecimento superior mas sim a uma experiência mística. Estudar e entender isso é básico para todo aquele que deseja seguir pela via gnóstica...
 
Da mesma forma o “mestre” nada representa dentro do conceito e da visão gnóstica da espiritualidade. Um mestre, para um gnóstico, é como qualquer outro autor ou professor consciencial já que seu suposto título ou grau esotérico em nada afeta o trabalho que o próprio gnóstico deverá empreender. No sentido da relação tradicional de metre e discípulo, sempai e kohai, o único mestre que temos é nós mesmos. Essa é uma realidade muito crua da qual muitos gnósticos fogem. Mas isso não muda o fato de que não existe outro mestre que não sua própria essência divina. Essa essência é chamada nos textos samaelitas de Cristo Interno e, conforme indicado pelo próprio Samael, é o único mestre que devemos seguir e nos reportar.
 
Qualquer outro mestre é simplesmente um autor de livros que estão a nossa disposição como dicas em nossa jornada. Nada mais do que isso. Mas também não menos. Como o próprio Samael dizia de seus textos, são simples referências que podem ajudar àqueles que buscam a iluminação...
 
Dar demasiado valor a qualquer texto é perder-se do que realmente importa... é como aquele conto Zen em que o mestre aponta para seu discípulo a lua e o discípulo, ao invés de contemplá-la, fixava-se no dedo de seu mestre... É isso que fazem os que seguem “doutrinas” e “mestres”...
 
Como eu disse em outro artigo: “seguir ao Cristo e não seguir a mais ninguém nem a escola alguma”...
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax
 

By panveritrax

Ola a todos....
Acho interessante discutir a questão de um sistema que permita que se alcance a iniciação, porém discordo que Samael tenha deixado um sistema, até pela própria definição da palavra. Um sistema é caracterizado por um conjunto de métodos e procedimentos, onde há uma entrada e uma saída (resultado) pelo qual um objeto de aplicação é transformado. Em um sistema esotérico têm-se por entrada uma pessoa e saída uma nova pessoa, e as idéias e propostas são os parametros de funcionamento do próprio sistema. Samael apresenta os parametros, e não um sistema de aplicação, no máximo dá base para criação de um novo sistema ou a escolha de um já existente. Por isso Samael relatava em seus livros e manifestos a participação de pessoas de outras escolas que adotavam sistemas próprios no movimento gnóstico.

Quanto a estrutura das Três Cãmaras é um sistema, porém correspode apenas os aspecos místicos e religiosos, logo é apenas um subsistema diante de uma proposta gnóstica independente de avatares ou correntes. Um sistema completo é composto também pelos susbsistemas que abordem e trbalhem com os aspectos cientificos, filosóficos e artísticos, além disso o sistema religioso das três câmaras ele é mutio abstrato e não há pontos de verificação de pontos claros de avaliação do processo de transformação que sistema deve resultar. A transformção completa do homem (leia-se Cristificação, já que somos gnósticos) deve ser testada, comprovada de forma concreta como em todo sistema por definição é.
Já que estamos falando de definições, o gnosticismo, abrange a obtenção da gnosis e adota-se alguns mitos e símbolos porém não é um sistema, mas sim um ponto de vista, um parametro que se adotado em um sistema irá caracterizá-lo como gnóstico. Tanto é assim que grupos que transformam as bases gnósticas em doutrina ou dogma, jamais poderão ser gnósticos.

By usuário anônimo (não verificado)

O sistema proposto por Samael Aun Weor possui todos os elementos necessários para ser considerado como tal. É um conjunto de elementos e processos conectados de tal forma que consistem em um todo organizado. Há metas e há plano de ação.

As metas correspondem às etapas da Alta Iniciação e o plano de ação está sintetizado pela Magia Sexual Branca. Talvez agora seja possível entender porque afirmei que o sistema de Samael Aun Weor é: "la Iniciación es tu misma vida. Si quieres la iniciación, escríbela sobre una vara."

As técnicas e os processos deste sistema permitem ao estudante atingir suas metas, desde as mais próximas - as iniciações menores, por exemplo - até as mais distantes - o regresso ao Absoluto, tendo encarnado os três princípios logóicos.

É verdade que Samael Aun Weor entrega muitas técnicas para um mesmo fim, mas isto não invalida seu sistema. Também é verdade que existe uma escala bastante variável de metas, mas todas estão integradas, e conferem coerência ao sistema. Outra afirmação que também é verdadeira é que a obra escrita de Samael Aun Weor possui pouquíssima sistematização, o que pode levar à confusão o estudante que busca compreender o sistema aquariano lendo apenas "5 livros" ou os livros de "Mestres intérpretes".

É equivocado considerar os Três Fatores de Revolução da Consciência como ferramentas do sistema. Eles são na verdade os seus processos. Ferramentas e processos são duas coisas diferentes. O nome já diz: Fatores. Ninguém usa o Morrer, mas passa pelo Morrer, através das ferramentas da psicologia gnóstica. Ninguém usa o Nascer, mas passa por ele, utilizando as ferramentas da Magia Sexual Branca.

Se o estudante não pratica estas técnicas, não vive os processos, não conhece as metas e não as atinge, não segue o plano de ação, e não sabe de onde está partindo, como poderá exigir resultados de um sistema? Como poderá mesmo reconhecer estes elementos como sendo um sistema?

Não é verdadeiro que Samael Aun Weor entregou uma sacola cheia de ferramentas (a alegoria é minha) para que cada estudante monte seu próprio sistema. Não há nenhuma indicação disso em sua obra, o que faz esta afirmação se reduzir a uma suposição bastante vaga, que pode muito bem ser elaborada quando o foco está nas ferramentas, e não no funcionamento do sistema como um todo.

Há um sistema, bastante claro e definido, mas objetivo e simples.

A classificação dos sistemas como "kinder" não traz demérito algum para quem o pratica. Não há motivo para rejeitar esta classificação, pois ela não é ofensiva. O termo pueril não passa de um adjetivo sem qualquer valor além do denotativo. Conheço os sistemas pueris, mas talvez não tão bem quanto conheço a língua portuguesa.

Ninguém pode negar que os sistemas pueris trazem resultados! Não raro, trazem mais resultados aos seus praticantes do que os sistemas maduros, e isto porque possuem metas diferentes.

Todo resultado está sempre sujeito à relatividade: depende da meta que se pretende alcançar. O índice de resultados alcançado por crianças, através das atividades pedagógicas realizadas no jardim de infância, do que adultos dedicados à abertura e à consolidação de novas empresas.

Se a meta é próxima, maisores as chances de se alcançar o resultado esperado. Mas se a meta é ambiciosa, maiores são as chances de que o resultado não seja o esperado, por mais perfeito que seja o sistema, as ferramentas e os processos. O adágio "Muitos são os chamados e poucos os escolhidos" exemplifica o que estou dizendo.

Praticar o sistema proposto por Samael Aun Weor e não alcançar resultados pode ter três razões: 1) não se o está aplicando corretamente, 2) não se compreendeu corretamente as metas deste sistema e 3) não se compreendeu corretamente o plano de ação. Neste caso, é melhor desistir e se dedicar a outro sistema para obter resultados, nem melhores nem piores, mas resultados.

Não vamos confundir os termos.

Doutrina é uma coisa. Dogma é outra. Entre estes dois conceitos existe um caminho muito longo, que os gnósticos não atravessam.

Portanto, doutrina gnóstica existe sim, e não possui nenhuma oposição à qualquer definição de gnosticismo.

Corrigindo parágrafo anterior:

"Todo resultado está sempre sujeito à relatividade: depende da meta que se pretende alcançar. O índice de resultados alcançado por crianças, através das atividades pedagógicas realizadas no jardim de infância, do que adultos dedicados à abertura e à consolidação de novas empresas."

"Todo resultado está sempre sujeito à relatividade: depende da meta que se pretende alcançar. O índice de resultados alcançado por crianças, através das atividades pedagógicas realizadas no jardim de infância, COSTUMA SER MAIOR DO QUE O DOS adultos dedicados à abertura e à consolidação de novas empresas."

Olá, Giordano.
 
Sobre o suposto sistema de Samael...
 
Dizer que existe um sistema gnóstico não faz com que o sistema venha a existir... É fácil falar que existe um sistema. Difícil é demosntrar isso...
 
Todo essa “mapeamento” que você apontou integra, certamente, o corpo teórico da proposta de Samael Aun Weor mas não constitui um sistema...
 
Uma pessoa inteligente quando se depara com as inúmeras técnicas apresentadas por Samael logo busca encadeá-las buscando alguma lógica em sua aplicação e assim começa a enxergar um proto-sistema nelas. Mas esse (quase...) sistema não está nas obras mas sim na leitura de quem está estudando essas obras. É essa abertura que apontei como vantagem em comentários anteriores. O fato de Samael não ter estabelecido qualquer sistema é interessante sob esse ponto de vista...
 
Mas esses proto-sistemas espontâneos que saltam aos olhos não tem qualquer garantia de eficácia além de não serem óbvios para a maioria. Ai entra a necessidade de estudar a metodologia científica e a análise de sistemas para estabelecer um sistema de práticas baseado nos princípios e técnicas apresentadas por Samael e que realmente surta efeito.
 
Justamente por não empreender um trabalho como este é que a inexistência de resultados concretos dentro dos parâmetros apontados por Samael é a regra entre os praticantes do gnosticismo samaelita...
 
Veja que se existisse esse sistema como você defende ele seria claro e apresentaria resultados. Isso não é questão de crença ou de interpretação. É bem mais simples que isso. Um sistema não é algo abstrato, oculto ou esotérico. É concreto e claro. Não adianta levar a questão para o campo retórico e dizer que existe isso ou aquilo. Se existe um sistema ele deve estar claro, bem delineado, com passos explícitos, com parâmetros de avaliação específicados, com eficácia verificável, enfim, algo concreto como já disse e que seja obviamente identificável...
 
Veja que é natural que Samael não tenha proposto um sistema. Um sistema, por definição, deve especificar um conjunto de técnicas definidas e ordená-las de forma inteligente dentro de uma linha específica de ação. Isso faz com que o sistema não seja adequado a qualquer tipo de pessoa já que ele deve ter, por definição, uma linha de aplicação específica. Se Samael tivesse proposto um sistema o gnosticismo samaelita não seria acessível a todo tipo de pessoa. E essa era sua meta principal...
 
Talvez falte aqui um pouco de entendimento sobre o que é um sistema...
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax

By panveritrax

Sobre os três fatores como ferramentas ou processos...
 
Isso depende do ponto de vista que você adota com relação à eles. Entendo que é possível enxergá-los como processos fixando sua observação nos efeitos buscados em cada um destes fatores. Mas podemos entendê-los, também, como ferramentas se tomarmos uma perspectiva mais técnica entendendo cada fator como uma aplicação de chaves específicas e bem delineadas. No gnosticismo samaelita não existem várias maneiras de se aplicar a morte mística. Há apenas uma fórmula, uma técnica, que representa a própria morte mística dentro dessa corrente filosófica. Claro que essa fórmula envolve vários processos podendo ser, até, considerado um sub-sistema dentro do todo. Mas é, ainda, bastante específico e diferente do proposto por outras correntes. Então entender a morte mística como uma ferramenta é perfeitamente possível pois ela é a expressão de uma técnica específica. Com o segundo nascimento isso é ainda mais evidente...
 
Então a forma com que se classifica os três fatores de revolução da consciência depende do ponto de vista... mas ambos estão corretos...
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax

By panveritrax

Voltando ao suposto sistema de Samael e sobre os planos de ação...
 
Veja que para que o gnosticismo samaelita fosse acessível a todos independente de seu raio particular ele teve que ser apresentado de maneira ampla e aberta. O plano de ação é bem genérico e as metas também. A maioria dos estudantes não consegue “viver” as técnicas e esse plano de ação, como você diz, justamente porque não existe um sistema.
 
Você disse que a pessoa deve se dedicar para reconhecer os vários elementos do gnosticismo como sendo um sistema... Ora, isso é prova clara de que o sistema não existe! Um sistema é independe do ponto de vista e da leitura. Ele é algo concreto e claro como já falei...
 
Novamente recomendo que se estude um pouco sobre metodologia científica e sobre conceituação e análise de sistemas antes de argumentar algo sobre o assunto... Agora tenho certeza que é justamente o desconhecimento sobre esses campos, que são o foco de discussão aqui, que estão dando origem a tantos comentários equivocados...
 
Estou envolvido profissionalmente com o estudo e a análise de sistemas há tanto (ou mais...) tempo quanto com o gnosticismo e em todos esses anos não vi nos textos e nas instituições criadas por Samael esse sistema que você defende...
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax

By panveritrax

Páginas

Comentar