A obra de Samael Aun Weor contém erros?

A obra de Samael Aun Weor contém erros? Claro. Contém muitos erros. Certamente os gnósticos samaelitas mais fanáticos não concordarão comigo neste ponto mas toda pessoa sensata e com alguma cultura sabe que não existe nenhum autor isento de erros.

Errar é inerente à própria natureza e formação do mundo material onde vivemos. Afinal, segundo a visão gnóstica, a criação é obra de um deus imperfeito, o Demiurgo, e toda a matéria é apenas um mero reflexo da verdadeira realidade.

Todos os livros que temos a nossa disposição possuem erros, equívocos e parcialidades. Mas isso não é motivo para invalidarmos as obras dos grandes professores que passaram por este planeta. Afinal, elas são imperfeitas mas, dentro de suas limitações, guardam a verdade experimentada por seus autores e delineiam o caminho para alcançarmos a mesma experiência.

Todo estudante que realmente queira algum resultado concreto tem que estudar muito e vivenciar tudo o que estuda para adquirir experiência e aprender a discernir o que é equivoco e o que é verdade nas obras de seus professores esotéricos. As instituições organizadas ou grupos de estudo podem ajudar muito nesse sentido contanto, é claro, que não sejam focos de doutrinação ou de culto à personalidade de um autor específico.

Samael Aun WeorQuanto á obra de Samael Aun Weor em específico devemos lembrar que ela não foi escrita quando o autor concluiu o seu processo de revolução consciencial mas sim durante esse processo. Assim há, realmente, muitos equívocos nos vários livros de Samael Aun Weor que eram, para ele, a verdade que ele podia perceber no momento que vivia e na etapa do caminho que trilhava enquanto escrevia cada obra. Os livros escritos por este autor apresentam uma linha evolutiva de conceitos e práticas que foram sendo desenvolvidos durante toda a sua vida e para aproveitar corretamente estes registros temos que estudá-los de forma adequada.

Antes de mais nada devemos manter sempre um senso científico e realista sem jamais cair no erro de assumir a confortável posição de crítico ou de seguidor da obra que estamos estudando. É necessário, também, alguma experiência esotérica para discernir com mais clareza os pontos mais obscuros de cada livro. E, dada a forma com que foram registradas as obras, é necessário que todas elas sejam estudadas e entendidas em seu contexto temporal e no conjunto formado com os outros livros do autor.

Durante a leitura de qualquer texto escrito por um professor esotérico devemos sempre buscar identificar em quais dos seguintes pontos pode-se classificar as idéias registradas:

a) idéias pessoais e particulares do autor;

b) costumes e paradigma social e cultural da época e local em que viveu o autor;

c) Gnosis obtida pelo autor;

d) técnicas aplicadas pelo autor que geraram resultados palpáveis para ele.

Tendo isso em mente podemos avaliar se as posturas e indicações mais ligadas à personalidade ou ao paradigma social do autor são válidos para a nossa própria realidade. De qualquer forma o que mais nos interessa são as experiências e a Gnosis obtidas pelo autor e as técnicas que ele aplicou e que apresentaram resultados concretos. Esses dois pontos podem nos ajudar em nossa busca pois são eles que delineiam um caminho possível para se alcançar a mesma iluminação obtida pelo autor.

Se seguirmos por esse caminho veremos que muitos autores dotados de uma retórica magnífica são de pouca utilidade para os que buscam resultados reais e concretos. Já outros autores se mostrarão bastante úteis como ferramentas e parâmetros na busca de nossa própria revolução consciencial.

No final das contas não é uma questão de acreditar ou não no que está escrito. É uma questão de estudar, conhecer e verificar de forma crítica e direta a veracidade do que está escrito.

O verdadeiro gnóstico aplica toda a sua crítica a tudo o que lê. Principalmente às obras fundamentais do gnosticismo. Os que não fazem essa crítica não são verdadeiramente gnósticos e estão apenas se iludindo frequentando associações e escolas para se sentirem bem e seguros por seguir uma religião de cunho esotérico. Mas no final esses não obterão qualquer benefício do gnosticismo.

E para aqueles que temem que a obra de seu guru seja denegrida pela crítica materialista ou pelo frio racionalismo só tenho a dizer que se a simples crítica racional é capaz de derrubar os conceitos de um mestre então este certamente não era legítimo.

A obra de Samael Aun Weor ou de qualquer verdadeiro professor gnóstico não é perfeita e não precisa de defensores. Ela é o que é e se prova por si mesma.

O valor de uma obra esotérica não está nela em si mas no proveito que os estudantes podem tirar dela para o seu próprio crescimento.

L. L. L. L.

Pan Veritrax

 

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Comentários

Sem medos e sem rodeios. Parabéns.
Essa é a diferença de livre-pensadores com a classe do "povão" ou "profanos". Enquanto os primeiros pensam por si só, o segundo aceita tudo que foi/é tacado goela abaixo.

Abraços

By usuário anônimo (não verificado)

Obrigado, Tiago.
 
Um grande abraço.
 
L. L. L. L.
 
Pan Veritrax

By panveritrax

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