Avaliando resultados inesperados
Ok, você cansou de ler sobre ocultismo e resolveu praticar. Definiu um objetivo a ser alcançado e escolheu uma técnica adequada para realizar esse objetivo. Se preparou e realizou a prática. Nada aconteceu...
Você tentou novamente. Nada...
E então? Será que a técnica que parecia tão fantástica não passava de papo furado? Talvez as coisas sejam assim mesmo... o negócio é praticar e praticar e um dia a coisa dá resultado...
Não!
Se uma técnica esotérica é legitima ela deve surtir o efeito desejado. Nenhuma técnica foi projetada para não fazer nada. Todo exercício esotérico tem o propósito de gerar efeitos reais e concretos que tendem a se reforçar com a prática constante. A verificação da gradação desses efeitos é o principal parâmetro de avaliação do filósofo esotérico para medir seu progresso nos estudos místicos.
Mas e quando as coisas não saem como você espera? E quando nada acontece? Nesse caso cabe a você avaliar o que deu errado.
Ao meu ver há três pontos básicos que devem ser avaliados.
Primeiro: A técnica que você utilizou foi projetada para produzir os efeitos que você esperava? De nada adianta, por exemplo, praticar a meditação quando o que você realmente quer é a projeção energética. É necessário que você escolha a técnica correta para conseguir o que busca. E se você não sabe o que quer então nenhuma técnica servirá para você. O primeiro passo é traçar seu objetivo de forma clara e precisa e depois escolher uma técnica que atenda a esse objetivo.
Segundo: Você possui os requisitos necessários para a correta realização da técnica escolhida? Como os sistemas esotéricos estão todos muito acessíveis em nossos dias e como são realmente poucos os que tem a paciência de seguir um programa de treinamento gradativo a grande maioria dos iniciantes se lança á experimentação de várias técnicas sem qualquer avaliação do nível de dificuldade delas.
Mas como você vai saber se a técnica escolhida é muito avançada para suas capacidades atuais? Normalmente os materiais de estudo do sistema filosófico que você adotou devem apontar os pré-requisitos para a realização da técnica. Mas isso é cada vez mais raro nos textos que temos hoje. Então só nos resta mesmo experimentar. Realize a técnica buscando perceber durante a própria prática algumas capacidades que, se obtidas, facilitariam a obtenção de resultados.
Por exemplo, digamos que você deseja alcançar o estado de meditação, ou seja, o estado de vazio ou calar da mente e escolhe uma técnica específica para isso. Durante a prática você busca o seu objetivo, calar a mente por completo, mas os movimentos involuntários do seu corpo atrapalham todo o processo. Você percebe que sua respiração não flui adequadamente mantendo seu corpo em um estado de tensão. Você percebe, também, que é muito difícil manter-se focado no objetivo de calar a mente já que ela vagueia por vários pensamentos e lembranças que não tem qualquer relação com a busca do estado de meditação. Ao terminar a experimentação da técnica que deveria ter produzido o estado de meditação você já pode perceber algumas capacidades que fizeram falta durante o exercício: postura e relaxamento corporal adequados, respiração fluídica e uma concentração mínima para manter o foco do exercício.
Depois que você conseguir levantar quais são os pré-requisitos para a prática correta da técnica que escolheu basta traçar uma estratégia de ação. Monte um pequeno programa de práticas começando pelas mais fundamentais e, conforme vai conquistando algum domínio sobre elas, passe para práticas mais profundas. Só não cometa o erro de se julgar despreparado ou incapaz de realizar as técnicas mais avançadas. Na verdade todas essas técnicas são aplicadas e dominadas simultaneamente. Este pequeno programa de práticas indica apenas onde a atenção deve ser posta com mais ênfase. Mas em toda a prática é interessante que todos os passos sejam realizados. Assim, no nosso exemplo, você aprenderá a meditar meditando e usará o programa para definir estágios preliminares a serem realizados em cada prática de meditação. Não espere alcançar a perfeição em cada estágio mas também não desmereça o método e o progresso gradual. Encontre um ritmo e uma forma de praticar que esteja entre esses dois extremos.
Terceiro: A técnica escolhida é eficaz para você e é adequada ao seu ritmo pessoal? Dentro de uma mesma corrente filosófica existem normalmente muitas técnicas para se obter um resultado específico. Veja, por exemplo, as dezenas de métodos disponíveis para conseguir a projeção da consciência ou as dezenas de mantras para o desenvolvimento dos poderes fundamentais do homem. A existência de tantas técnicas se justifica pela igual diversidade de tendências pessoais ou de características internas dentre os estudantes do esoterismo. Praticamente cada pessoa tem um ritmo, uma necessidade interior e uma forma particular de interagir com os vários elementos de sua jornada. Assim algumas pessoas obterão efeitos rápidos e intensos com algumas técnicas que se aplicadas por outras pessoas se mostrarão inócuas.
Todos nós temos um caminho de menor resistência por onde o progresso e a obtenção de resultados será mais rápida e mais de acordo com nossas capacidades. Encontrar esse caminho é essencial para progredir nesses estudos. Quando encontramos nosso caminho de menor resistência podemos avaliar mais precisamente quais técnicas serão mais eficazes para nós e quais conceitos estarão mais em acordo com aquilo que buscamos. Assim tiramos o máximo proveito de nossa busca. Dedicar-se à práticas que são, para o nosso ritmo, menos eficazes é um erro muito comum entre os estudantes esotéricos e que só traz frustração e perda de tempo. São muitos os estudantes que se dedicam a horas e horas de prática de yoga sem qualquer resultado concreto ou à prática da ritualística por anos sem ter desenvolvido qualquer contato real com os planos espirituais. Isso é pura perda de tempo.
Conheça suas necessidades internas e seu caminho de menor resistência para a busca espiritual. Comece avaliando o que te chamou a atenção para o esoterismo. Identifique quais são as disciplinas dentre as várias áreas de estudo místico que você mais gosta. Assim você poderá tomar consciência do seu ritmo particular e do seu raio pessoal que apontam qual é o seu caminho de menor resistência para a busca espiritual.
O desenvolvimento pessoal dentro das ciências ocultas é algo matemático. Basta traçar um objetivo claro, encontrar a técnica adequada e praticá-la de forma correta que os objetivos são verificados. Se os resultados não forem verificados então algum elemento dessa equação não foi atendido corretamente. A obtenção de resultados concretos é algo bastante simples. O resto são desculpas e resmungos de quem não conseguiu os resultados que queria e tem preguiça de tentar alcançá-los com mais seriedade.
L. L. L. L.
Pan Veritrax

Re: Avaliando resultados inesperados
Muito bom o post... realmente concordo com vc em diversas coisas...
Mas
Cara.... se tem um coisa que aprendi... que quando se tem vontade.... uma vontade ARDENTE de se fazer algo.... Se consegue facilmente
Ainda nao vivi nenhuma experiencia que me prove o contrário.
A vontade bem direcionada pode, talvez, sobrepor a técnica. Pq para mim é como se eu já soubesse e de repente eu só precisava recordar... ou talvez acessar estes registros.
Quando se quer de verdade eh impossivel nao conseguir.
Bjos bjos
Re: Avaliando resultados inesperados
Concordo.
Mas não se esqueça que a técnica ou o sistema proposto pela Tradição Esotérica Ocidental tem por objetivo justamente desenvolver essa vontade legítima. Uma coisa não exclui a outra...
L. L. L. L.
Pan Veritrax
Re: Avaliando resultados inesperados
Parece óbvio, mas ai temos grandes verdades. Frases do tipo "conhece a ti mesmo e conheceras os deuses e o universo" ou "o que é em cima assim como em baixo" mostra a grande verdade no reconhecimento interior. O homem é o microcosmo e deve primeiramente se conhecer para assim dominar o macrocosmo. O que é mais triste é que os maires demônios são os que estão dentro de nós...
Abraços
Re: Avaliando resultados inesperados
Talvez até os únicos demônios...
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