Crepúsculo

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Gosto muito de filmes sobre vampiros. Acho o mito do vampiro algo bastante intrigante. Este é um tema riquíssimo em simbolismo e que pode ser avaliado em vários níveis de metáfora e símbolo mas, ao mesmo tempo, é um tema presente em várias culturas de várias épocas levando-nos a questionar se estamos falando realmente de um mito ou se há algum fundo de verdade em toda essa história.

Capa do livroQuando o filme Crepúsculo foi anunciado fiquei bastante interessado. Claro que vários filmes que assisti com essa temática fazem juz ao adjetivo “trash”. Mas esperava alguma boa supresa como a Rainha dos Condenados ou o Drácula. Não sabia, até assistir o filme, que ele era baseado em uma série de livros e não conhecia sua temática. Foi uma boa surpresa.

Esperava o bom e velho clichê do vampiro amaldiçoado enfrentando a sociedade mortal ou mesmo os bons e velhos dilemas dos vampiros apaixonados. Mas minha espectativa pela releitura do romance entre Buffy e Angel ficou mesmo para traz. Crepúsculo apresenta o romance entre um vampiro e uma garota mortal de uma maneira bem interessante. Não temos os chiliques clássicos do tipo “Oh! Você é um vampiro!? Afaste-se de mim demônio!!!” ou os choramingos clássicos do tipo “Eu a amo... e por amá-la devo ficar longe... sou uma criatura amaldiçoada...”. Tudo bem, os vampiros até tem os seus dilemas mas, de modo geral, são bem resolvidos em relação à sua natureza e ao seu papel na sociedade. Vivem como uma família e encaram a vida (ou a não-vida) de uma maneira bastante positiva e prática. E essa estabilidade e equilíbrio emocional também é visto pelo ponto de vista “mortal” do par romântico.

Sim, é uma história sobre vampiros, mas seu foco não está nem na maldição, nem nos poderes, nem nos conflitos emocionals dos mortos-vivos mas sim no romance entre dois jovens (apesar de um deles ter várias décadas) que tem que enfrentar seus problemas pessoais, suas dúvidas, suas inseguranças até alcançar um ponto de estabilidade em sua relação. Algo bastante presente na vida de todo mero mortal que viveu (ou está vivendo...) suas primeiras esperiências românticas da adolescência. Acho que esse é o charme da história.

Permeando o enredo não pude deixar de notar a influência das idéias de Mark Hein-Hagen e de seu famoso RPG: Vampiro A Máscara. Talvez esteja enganado sobre isso mas, ao meu ver, foi Hein-Hagen que sedimentou a idéia da rivalidade entre vampiros e lobisomens e também delineou as características principais destes personagens no mundo moderno. Seu RPG não é revolucionário e tem suas fontes de inspiração, sendo a principal delas os vampiros de Anne Rice (lembram de Entrevista com o Vampiro e A Rainha dos Condenados?...). Mas a forma com que os vampiros são descritos neste jogo é bem mais detalhada e estabelece uma nova mitologia para os sangue-sugas que se reflete em várias histórias modernas do gênero. Em Blade temos os vampiros organizados em casas e tendo um mítico livro sagrado. Em Underworld vemos o conflito entre vampiros e lobisomens alcançando as ruas das grandes cidades. E em Crepúsculo temos os vampiros e os lobisomens em seus ambientes respeitados por ambas as partes. Talvez as origens disso tudo sejam ainda mais antigas mas para quem já jogou Vampiro A Máscara por algum tempo as semelhanças saltam aos olhos.

Uma coisa bem interessante que me fez refletir quando assisti o filme Crepúsculo foi a aparência que os vampiros tem nessa versão do mito. Ao contrário das criaturas grotescas e deformadas apresentadas por outros autores em Crepúsculo os vampiros são extremamente atraentes e, quando expostos à luz do sol, adquirem uma aparência dourada quase divina. Sim, os vampiros de Crepúsculo não viram pó quando expostos à luz do sol. E isso está de acordo com algumas versões tradicionais do mito. Se pensarmos bem era de se esperar que os vampiros fossem bonitos. Afinal de contas eles são predadores da raça humana e precisam ser bonitos para atrair suas presas. Uma questão de sobrevivência do mais adaptado.

A linha central da história girando em torno de um romance entre dois jovens também favorece a reflexão sobre os significados mais profundos em torno do mito do vampiro.

Quando pesquisamos sobre a metáfora que o vampiro representa logo nos deparamos com a idéia de que o vampiro simboliza a peste negra. Afinal, ele não pode atravessar água corrente, tem medo de alho e é destruído pela luz do sol. Isso demonstra que o vampiro é apenas uma imagem criada pela imaginação do homem simples medieval para representar as doenças de modo geral e a peste negra em específico sendo a água, o alho e o próprio sol elementos fundamentais na higiente e na terapia das doenças comuns dessa época. Isso é válido para a versão de vampiro criada por Bram Stoker mas não se encaixa no mito do vampiro de modo geral. Há muitas variações para este mito provindas de várias culturas e em muitas delas a analogia com a doença não se encaixa. E na versão que vemos em Crepúsculo ela também não faz muito sentido.

Cartaz do filmeMas se buscarmos os significados mais ocultos por traz desse mito veremos que quase todas as versões desses mortos-vivos nos trazem uma idéia recorrente: o sexo. Esta idéia está presente de várias formas nas várias versões de vampiros que conhecemos. No vampiro tradicional de Bram Stoker temos a lascívia de Drácula seduzindo suas vítimas (que, aliás, são sempre mulheres já que ele deixa os homens para suas noivas...), suas presas crescendo em uma alusão à ereção e a excitação sexual e o êxtase intenso experimentado por suas vítimas durante o beijo mortal que representa claramente o orgasmo que precede a morte. Essas imagens não são tão explicitas em Crepúsculo mas os conflitos de Edward e Bella dão as pistas da relação simbólica ou metafórica entre o desejo por sangue e o desejo sexual.

Sobre este ponto de vista o ocultista que já tenha adquirido uma boa base cultural sobre a magia e a tradição esotérica poderá extrair do mito do vampiro e da história de Crepúsculo várias lições interessantes relacionadas ao domínio e aplicação da energia sutil mais poderosa presente na natureza exterior e interior. Como sabe todo praticante da magia moderna há várias correntes e fluxos de energia ao nosso redor, provindos das mais variadas fontes naturais. Estes fluxos energéticos existem, também, dentro do próprio ser humano. Aprender a perceber estas energias e aprender a manipulá-las dentro e fora de nós de forma harmônica e síncrona é uma das chaves para a prática da magia. E o eixo central de fluxo de todas essas correntes reside sobre um tipo especial de energia relacionada à mais poderosa fonte de poder do ser humano: a energia sexual. A forma correta e segura de trabalhar com essa energia foi mantida por muitos séculos como um grande segredo dentro de várias escolas de magia. Atualmente estas técnicas já foram publicadas e são ensinadas mais diretamente mas o estudo dos vários símbolos e instruções codificadas deixadas pelos magos mais antigos ainda são de grande utilidade para o correto aprendizado e aplicação destes sistemas ocultos. E uma destas fontes alegóricas onde ensinamentos codificados foram guardados para a apreciação dos futuros estudantes foi justamente o conjunto de histórias envolvendo este personagem tão estranho e tão fascinante que se alimente da energia vital de suas vítimas bebendo seu sangue. Para aquele que sabe onde procurar o mito do vampiro é uma riquíssima fonte de ensinamento esotérico. Basta ter os conhecimentos básicos sobre a arte mágica para decifrar as metáforas construídas ao redor da imagem do vampiro.

Talvez a presença de um ensinamento tão poderoso oculto sob metáforas e símbolos seja a razão que faz do vampiro uma criatura tão fascinante e que suas histórias despertem tanto interesse.

Se você já tem algum conhecimento sobre a simbologia esotérica ou mágica poderá tirar algumas lições interessantes assistindo a este filme. Mas se você nem faz idéia do que estou falando pode ignorar esses últimos parágrafos e assistir o filme tranqüilo. A história é boa e a abordagem apresentada sobre os vampiros e lobisomens é bem interessante.

L. L. L. L.

Pan Veritrax

 

5
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Re: Crepúsculo

Adorei o post...
Já li a série inteira e o mais interessante sao os conflitos internos entre os dois adolescentes. Quem nunca se sentiu uma Bella ou um Edward?
Além do mito do vampiro há uma psicologia profunda com elementos que pude observar no livro e dentro de mim mesma.
O ultimo livro midnight sun que ainda nao foi lançado mas jah tem alguns capitulos na web mostra de maneira extraordinaria a visão do vampiro. Ele enfrentando cara a cara seu desejo de matar e sugar o sangue da garota... e ainda seu desejo de.... bemmm... vc sabe... rsrsrs

Parabéns pelo site

Bjos

Re: Crepúsculo

Muito bom este comentário,e para quem tem um pouco de conhecimento de psicologia, sabe que todo mito, toda historia infantil, conto de fadas tem em si elementos mais que a simples historinha em si. Ha muito tempo fala-se que em muitas fábulas nós encontramos elementos de cunho sexual, pois a sexualidade, apesar de ser humana, nos ultimos séculos foi reprimida, oculta. Mas nada pode ficar oculto ao subconsciente que não traga problemas derivados disso.
A maestria e domínio sobre a sexualidade de uma forma controlada é uma forma poderosa de magia que a pessoa pode exercer em si mesma e o desperdicio dessas energias vitais traz várias consequencias.
Paz inverencial.

Re: Crepúsculo

Isso pra quem busca o domínio das forças naturais pelo caminho da magia... pra quem só quer curtir a vida sem grandes preocupações espirituais é melhor nem se meter com isso...

Re: Crepúsculo

Ameiii a História achei o máximoo e ó Bella se não quiser o Eduard traz ele pra mim viu,? bjos

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